São Paulo - A Bovespa foi arrastada pela queda generalizada que abalou as Bolsas pelo mundo ontem. Com desvalorização de 6,60%, a Bovespa teve um de seus piores pregões desde o fatídico 11 de setembro de 2001, quando caiu 9,17%, e passou a acumular perdas de 15,93% em 2008.
O impacto no mercado de câmbio também foi considerável. O dólar disparou 2,52% e fechou a R$ 1,83 - maior elevação diária diante do real desde 28 de agosto passado. A cotação do dólar de ontem foi a mais alta em quase dois meses.
Um detalhe relevante: as Bolsas não funcionaram nos EUA ontem, epicentro da atual crise, devido ao feriado de Martin Luther King Jr. Dessa forma, hoje pode haver quedas importantes no mercado acionário americano, o que tende a trazer mais pessimismo e mau humor aos investidores.
Se as principais economias passam a crescer menos, há impactos nas exportações e nos investimentos internacionais. Na Bovespa, onde os estrangeiros vinham se destacando na ponta de venda nos últimos pregões, investidores de todos os segmentos se desfizeram dos papéis das companhias. Tanto que nenhuma das 64 ações que formam o índice Ibovespa, o mais importante da Bolsa, conseguiu escapar de encerrar ontem em queda.
O pior pregão recente para a Bolsa havia sido o de 27 de fevereiro de 2007, com queda de 6,63%, quando a economia da China deu um susto no mundo. Com as quedas recentes, o valor de mercado das companhias listadas na Bovespa encolheu em R$ 344,9 bilhões nos primeiros 21 dias do ano. No período, o setor mais afetado foi o de petróleo e gás, que perdeu R$ 97,1 bilhões.
Como a crise tem afetado todo o mercado mundial e suas motivações não estão relacionadas à economia brasileira, é difícil estimar um piso para a queda da Bovespa. William Eid Júnior, coordenador do Centro de Estudos em Finanças da FGV, confia em uma reversão do atual cenário negativo.