No que depender do confeiteiro Everaldo Augusto, as praças e terrenos da Vila Dutra não ficarão abandonados por muito tempo. Cansado de reivindicar a capinação de áreas verdes junto à Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), decidiu bater à porta dos vizinhos para solicitar colaboração financeira. Seu objetivo é comprar um aparelho de cortar grama para, nas horas vagas, executar o trabalho, cuja atribuição é da prefeitura.
“Vou passar nas casas. Qualquer ajuda é muito bem-vinda. A gente não tem máquina para manter limpo e a prefeitura não vem”, comenta. Ele mora há oito anos na rua Francisco de Souza Janini e transformou um terreno baldio ao lado da caixa d’água do Departamento de Água e Esgoto (DAE) num pomar. Além dessa área, pretende dispensar cuidados a outras quatro praças.
“Liguei várias vezes na Semma. Cada dia é uma desculpa. Agora é que vão limpar as escolas municipais antes do início das aulas”, diz. De fato, a assessoria de imprensa da administração municipal informa que, desde o início deste ano, as equipes da Divisão de Praças e Áreas Verdes da Semma estão concentradas na limpeza das unidades escolares, levando em consideração o início das aulas, em fevereiro.
Ainda de acordo com o órgão de comunicação, ontem, as equipes concluiriam o trabalho de limpeza das escolas da região do Núcleo Mary Dota. As das regiões da Vila Garcia e Parque São Geraldo serão as próximas a receberem o serviço de limpeza, conforme a programação da secretaria.
Enquanto isso, Everaldo tenta levantar R$ 780,00. “É o preço mais barato que encontrei para um cortador de grama. Cerca de dez pessoas do bairro estão nesta luta, põem a mão na massa. Um número muito maior apóia. Não tem nada de política no meio, nem de empresa. É que está tudo muito abandonado mesmo. A prefeitura não aparece. Se aparece, é uma vez por ano”, critica.
Mas de acordo com a Semma, as praças da Vila Dutra receberam o serviço de limpeza, pela última vez, em outubro do ano passado. Porém, num mês e meio, dependendo do tipo, o mato pode crescer e atingir mais de um metro - especialmente no verão por conta do período de chuvas.
“Se viessem a cada três meses, já estava bom. Vou passar a máquina pela manhã, pois trabalho à tarde, e principalmente nos finais de semana. Seria bom se a gente recebesse também o apoio de alguma empresa”, conclui. O morador pode ser encontrado por intermédio do telefone (14) 3218-9748.