São Paulo - Quem correu para vender suas ações nos últimos dias, durante as quedas que assolaram a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), deve ter se arrependido. O investidor que manteve o sangue-frio conseguiu ontem recuperar parte das perdas recentes.
A ação PN da Petrobras, a mais negociada da Bovespa, é um bom exemplo. Depois de se destacar na ponta de perdas desde a semana passada, teve expressiva valorização de 9,76% hoje. Na opinião de Paolo Mason, diretor da Win (home broker da Alpes Corretora), para o investidor que possui ações essa é uma hora mais de observação e menos de ação. “O cenário está instável e qualquer decisão neste momento pode ser perigosa. O mercado gera reações exageradas na tentativa de antecipar tendências”, diz Mason.
Para ele, a recomendação, principalmente para os investidores que têm ações de primeira linha, como Petrobras e Vale, é a de não vender os papéis nesse momento. Normalmente quem vende ações nos picos dos períodos de quedas acaba por ter prejuízos mais fortes.
Em 2002, quando a Bolsa sofreu pesadas perdas em meio ao turbulento período eleitoral, muita gente correu do mercado com medo de que a crise se intensificasse. Naquele ano, a Bolsa perdeu 17%. Mas quem teve paciência foi bem recompensado. Em 2003, a Bovespa subiu 97,3%.
Bovespa em alta
Depois do pânico de segunda-feira, a Bovespa resolveu dar uma trégua e fechou o pregão de ontem com a maior alta desde 18 de setembro do ano passado. Subiu 4,45%, para 56.097 pontos. Mas, na máxima do dia, chegou a valorizar 5,28%, apesar do mau humor de Wall Street, que passou o dia em terreno negativo. O Dow Jones caiu 1,02% e o Nasdaq, 2,04%. No ano, a Bolsa paulista ainda acumula queda de 12,19%.
Além da decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que reduziu a taxa de juros em 0,75 ponto percentual, em reunião extraordinária, a Bovespa contou com fatores internos para turbinar seus ganhos.
O principal fator foi a descoberta da Petrobras de uma reserva de gás natural abaixo da camada de sal na Bacia de Santos. A notícia caiu como uma luva no mercado financeiro, que já estava um pouco aliviado com a decisão do Fed. Com isso, as ações ordinárias (ON) da Petrobras fecharam em alta de 10,68% e as preferenciais (PN), de 9,52%.
Analistas lembram que os papéis têm o maior peso no Índice Bovespa (Ibovespa). As PNs representam 12,164% do índice e as ONs, 2,169%. Por isso, elas sustentaram boa parte da alta da Bovespa. “Mas temos de reconhecer que, se o Fed não tivesse reduzido os juros e dado alguma sinalização para o mercado, a descoberta da Petrobras teria pouco impacto e as ações não teria tido tanto fôlego para subir”, explica o analista da Win, home broker da Alpes Corretora, Fausto Gouveia.
Mesmo com a recuperação, os papéis da Petrobras continuam com prejuízo neste início de ano. Além de Petrobras, outros destaques foram as preferenciais da Gerdau, com alta de 9,09%, e as ordinárias da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), com 10,80%.
Apesar da euforia refletida na alta das ações, os analistas não ousam afirmar que o pior já passou.