A decisão do governo federal em regulamentar o crédito consignado para aposentados parece ter dado à população a ilusória promessa de acabar com o endividamento dos idosos que recebem os baixos benefícios do INSS. De acordo com as novas regras publicadas no Diário Oficial da União no dia 8 de janeiro, o valor da parcela que pode ser descontada em folha passa a ser 20% do valor da aposentadoria e não 30% como era antes. Até aqui, tudo bem, 80% do benefício está assegurado.
Em um primeiro momento, a atitude do governo parece bater de frente com os bancos e atender a uma antiga reivindicação da Cobap ( Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas), que há anos luta pelo fim do crédito “responsável por criar um círculo vicioso de endividamento que esconde o principal problema de grande parte da categoria que é o baixo poder aquisitivo”.
Porém, basta-se analisar melhor a situação para enxergar que a promessa de acabar com o endividamento dos aposentados é deficiente, pois se de um lado o governo diminuiu o limite descontado em folha, de outro deixou que os bancos estendam os prazos para que assim diminuam as parcelas. Essa brecha pode se tornar um abismo reponsável por engolir pequenas fatias da renda dos idosos que, no final, se tornam um grande bolo recheado de juros.
De certa forma contentes com o maior prazo para o pagamento, as grandes instituições financeiras vão continuar suas campanhas de empréstimo fácil e sem excesso de burocracia para conseguir chamar a atenção dos aposentados e pensionistas, já que muitos sequer têm conhecimento de como funciona o crédito descontado em folha e são impulsionados a contrair empréstimos com altas taxas de juros.
Os bancos e financeiras fazem uso da mídia para apresentar facilidades de crédito que prometem viagens para os idosos, a compra da sonhada casa própria e tudo sem dor de cabeça, afinal as parcelas são descontadas direto da aposentadoria. O que muitos desconhecem, porque é ocultado pelos bancos, é a abusiva taxa de juros que vem acompanhada de prazos que se perdem de vista.
As mudanças feitas pelo governo federal parecem ser “boas”, mas exige bastante cautela por parte dos beneficiários do INSS para evitar que os empréstimos virem uma bola de neve e que eles se afundem em dívidas intermináveis. Portanto, aqui fica o conselho: nada melhor do que efetuar pagamentos à vista e, em último caso, se houver a necessidade de dinheiro rápido, não abusar do crédito consignado.
Aelton Aquino - estudante de jornalismo da Unesp