Tribuna do Leitor

Um desabafo


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Mais um ano que se vai e novas esperanças de uma melhora para o ano que vem, mas para mim alguma coisa mudou. Eu fiquei um ano mais velho, e o que mudou!

Porque vêm por aí novos aumentos, nós derrubamos um imposto mas o que adiantou, o governo manda mais dois em cima da população e nós continuamos pagando o pato. Eu não sei até quando vai esta demagogia do governo dizendo que a saúde vai bem se todo dia nós vemos pela televisão o que se passa com ela, é uma lástima, e que a economia do País está crescendo, mas a fome do povo está também crescendo, como é que fica? Sem um emprego decente para esses pais de família que precisam pular de galho em galho para o que comer dos seus filhos.

O meu desabafo é um pouco diferente! O telefone da minha casa não para de tocar, para ajudar uma entidade ou para ser assinante de um jornal da capital, ou para empréstimo para os aposentados, até parece que os bancos querem ajudar alguém com propostas de dar água na boca dos menos avisados. Eu não sou rico, não! Vivo modestamente, eu e a minha mulher, com um salário de aposentadoria de apenas R$ 400 e mais um aluguel que recebo de R$ 320 que dá por mês a importância de R$ 720.

A minha sorte é que tenho a casa própria e um possante na garagem que é um Fusca 75, e muita saúde nos meus 75 anos de idade, com a graça de Deus. E é um bom plano de saúde que meus filhos e duas sobrinhas que eu criei me ajudam pagar, mas vou pescar duas vezes por mês e por isso que escrevo para esse jornal as minhas aventuras de pescarias, e assim vou levando a vida até o dia que Deus quiser.

E eu sou um modesto colaborador da coluna do leitor, porque tem muita gente em situação bem pior que a minha e quero amenizar um pouco esse povo sofredor no seu dia-a-dia para sobreviver. Até a próxima, se Deus quiser!

Florindo Martins

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