Gaza - Dezenas de milhares de palestinos da faixa de Gaza - submetida a um bloqueio israelense pelo sexto dia - invadiram o Egito ontem, depois que ativistas destruíram com explosivos parte de um muro que separa os dois territórios. Aqueles que conseguiram chegar à cidade de Rafah aproveitaram para obter alimentos, combustíveis, cigarros e outros artigos que se tornaram escassos ou caros em Gaza, por conta das restrições.
Os quase 2.000 oficiais egípcios mobilizados na fronteira não detiveram os invasores, mas a polícia estabeleceu barreiras nos acessos externos de Rafah, em especial na estrada que leva a El Arich, principal cidade do norte do Sinai.
A autoria das explosões no muro entre Gaza e o Egito ainda não foi determinada. O grupo radical islâmico Hamas não admitiu responsabilidade pela ação, mas militantes do grupo rapidamente tomaram o controle do fronteira.
A entrada em massa no Egito ocorre um dia depois de um manifestação organizada pelo Hamas - que controla a faixa de Gaza desde junho passado -, diante do terminal de Rafah contra o bloqueio imposto por Israel.
Ontem, Israel voltou a fornecer combustível para a central elétrica da faixa de Gaza. O governo israelense decidiu também permitir a entrada de 50 caminhões de remédios e comida no território, assim como fornecer 500 mil litros de diesel para abastecer os geradores.
Egito não criou obstáculo
O ditador do Egito, Hosni Mubarak, anunciou ontem que deu ordens para que suas tropas permitissem a entrada no país de dezenas de milhares de palestinos da faixa de Gaza, porque eles estariam passando fome.