Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu ontem que vai participar das campanhas políticas dos aliados. Lula fez uma ressalva: só irá participar das campanhas se as alianças locais respeitarem a coligação nacional que apóia o Palácio do Planalto. A decisão foi anunciada durante a primeira reunião ministerial, realizada ontem. “O presidente participará apenas nas cidades onde toda a base estiver reunida. Não havendo, respeitará os problemas locais e as questões de cada município”, disse o ministro José Múcio Monteiro (Relações Institucionais), após a reunião.
Lula decidiu ainda que nos próximos dias deverá definir como tratará a questão dos ministros que pretendem ser candidatos nas eleições municipais e também daqueles que têm interesse em participar das campanhas. Segundo Múcio, o tema será “discutido depois” pelo presidente - o que ainda não tem data para ocorrer.
Por aproximadamente cinco horas, Lula reuniu o vice-presidente José Alencar, os ministros e os líderes do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), e na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), no Planalto. O tom da reunião foi basicamente político, de acordo com Múcio.
Reunião ministerial
Na primeira reunião ministerial de 2008, o presidente Lula disse que a derrota de dezembro no Senado na tentativa de prorrogar a CPMF mostrou que a oposição já faz “pré-disputa” para as eleições de 2010. Em tom de reprimenda, pediu aos ministros maior entrosamento político para evitar novas derrotas no Congresso e enfrentar a oposição com sucesso nas eleições deste ano e de 2010.
No Salão Oval do Palácio do Planalto, Lula reuniu seus 37 ministros e comparou o encontro à Santa Ceia, a última refeição entre Cristo e os apóstolos. Com o objetivo de reforçar a importância da articulação política, o presidente disse: “Fico imaginando que muitas vezes ficamos cinco anos juntos, nos sentamos a esta mesa aqui, parece a Santa Ceia, todo mundo amigo, mas depois passamos um ano sem conversar. Penso que entre vocês existe pouca conversa política. Eu diria, há quase meses e meses que vocês não conversam entre si, que não trocam idéia”.
O presidente ordenou aos ministros que dessem mais atenção aos pleitos de cargos e verbas dos aliados no Congresso. “Todo ministro tem de fazer política. É preciso ter base (maioria no Congresso)”, disse, segundo relato de presentes. A intenção de Lula é reforçar o papel do articulador político do governo, o ministro José Múcio (Relações Institucionais).
Múcio sugeriu a criação de um órgão executivo para o Conselho Político (instância que reúne os presidentes dos 14 partidos aliados com representação no Congresso), para arbitrar disputas de cargos e verbas. Lula também pediu união nas eleições de 2008 entre os candidatos dos partidos que o apóiam. “É importante não agredir companheiros”, disse o presidente.
Segundo ele, desentendimentos nas eleições municipais poderão deixar seqüelas e impedir alianças em 2010, quando haverá disputa pela Presidência, governos estaduais, Câmara dos Deputados, Senado Federal e legislativos estaduais. Lula afirmou que era “natural” a oposição querer que o governo chegue a 2010 “mais fraco” do que em 2006. “Três anos para quem está no governo passa rápido. Para a oposição, é uma eternidade. Vamos negociar o que der para negociar e fazer o enfrentamento quando for necessário”.
Lula atribuiu à falta de boa articulação política do governo a derrota para PSDB e DEM na tentativa de prorrogar o imposto do cheque até 2011. “Nossa base (no Congresso) não pode deixar esse jogo prosperar.”
Na terceira reunião ministerial do segundo mandato, que durou cinco horas e 20 minutos, Lula afirmou que a política é o “centro” da atividade de um governo. Ele tem duas preocupações centrais no Congresso, a curto prazo: aprovar o orçamento e a medida provisória que aumenta a alíquota da CSLL. Mas há outros temas polêmicos de interesse do Planalto que podem ter dificuldade na aprovação no Congresso, entre elas a medida provisória que cria a TV Pública.
Em tratamento de combate a um câncer, o vice-presidente, José Alencar, foi de São Paulo a Brasília só para participar da reunião. Além dos ministros e do vice, dois parlamentares estavam presentes - os líderes do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), e no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). Atrasado devido a uma visita de emergência ao dentista, o ministro Guido Mantega (Fazenda) foi substituído por Henrique Meirelles (Banco Central) numa avaliação sobre os efeitos da crise dos EUA sobre o Brasil.