A piracema (período em que ocorre a desova dos peixes) começa no dia 1 de novembro e segue até 28 de fevereiro em todo o País. Durante esse período, é proibida a pesca em rios com o uso de redes, tarrafas e outras armadilhas tanto para pescadores profissionais quanto amadores. Como conseqüência dessa proibição, as lojas que vendem material de pesca registram uma queda no movimento de consumidores. As vendas só voltam a subir quando a piracema termina.
Faltando pouco mais de um mês para o fim da proibição da pesca, proprietários aguardam ansiosos pela chegada do mês de março. Alguns grupos de pescadores já estão até se adiantando e já se preparam para o reinicio do período de pesca. Segundo Paulo Oliveira, dono de uma loja especializada em materiais de pesca, localizada na quadra 9 da avenida Nações Unidas, com isso, as vendas começam a se recuperar.
Ele contou que no sábado passado, um grupo de 12 pessoas esteve na loja preparando as tralhas para uma temporada no rio Araguaia, em Goiás, em março. Outros destinos bastante comuns para pescadores de Bauru e região são Mato Grosso do Sul, Amazonas e até mesmo o rio Paraná, perto de Presidente Epitácio, na divisa com Mato Grosso do Sul.
Segundo Osni Pizarro, 57 anos, proprietário de uma loja de pesca na quadra 2 da rua Ezequiel Ramos, o rio Paraná, também conhecido como Paranazão, virou o principal destino de muitos pescadores após as restrições impostas para a pesca no Pantanal.
De acordo com ele, só é permitido sair de lá com, no máximo, dez quilos de peixes, mais um exemplar. Antigamente, não existia essa proibição. “Imagina, você viajar cerca de 1.200 quilômetros para chegar até lá e mais 1.200 para voltar e trazer só dez quilos de peixes. Muitos preferem pescar por aqui mesmo”, argumenta Pizarro.
Uma viagem de Bauru até o rio Paraná, em Presidente Epitácio, tem cerca de 370 quilômetros. Uma distância bem menor do que ir até o Pantanal. Outros, no entanto, preferem ir pescar no rio Tietê mesmo, que fica a poucos quilômetros de Bauru. Segundo Pizarro, as restrições teriam provocado uma queda de cerca de 70% no movimento de pescadores em Mato Grosso do Sul.
De acordo com ele, as peças mais procuradas na loja são as iscas, especialmente aquelas próprias para fisgar tucunarés e piaparas. Existe uma infinidade de opções. São iscas de todos os tamanhos, cores e para quase todos os tipos de peixes. “Um aficionado por pescaria tem pelo menos umas 100 iscas diferentes”, diz Pizarro.
Mas existem algumas regras básicas que precisam ser observadas. “Em dia claro, a isca tem de ser escura. Em dias nublados, a isca tem de ser clara”, ensina.
Segundo Paulo Oliveira, as peças mais procuradas pelos pescadores em sua loja são as varas, carretilhas, anzóis, iscas e chumbadas, ou seja, o básico para uma pescaria entre amigos. De acordo com o proprietário da loja, uma prática que tem crescido nos últimos tempos é a pesca esportiva. O “pesca e solta” tem ganhado adeptos principalmente entre os jovens. “Com os mais velhos, essa prática não é comum. Eles preferem encher as caixas de isopor de peixes”, compara.
Se as vendas de material de pesca caem nesse época, as de equipamentos para camping ajudam a diminuir o prejuízo. De acordo com Oliveira, a piracema coincide com as férias escolares, quando muitos aproveitam a folga e o verão para acampar.
É o que faz o advogado Luís Eduardo Betoni, 40 anos. Segundo ele, virou tradição a família acampar na praia nas férias. No sábado passado, ele, a mulher Maria Idalina, 27 anos, e as filhas Maria Júlia, 4 anos, e Ana Luísa, 1 ano, estavam à procura de uma lanterna nova e outras coisas para o acampamento que farão no Carnaval.
Na língua Tupi, a palavra piracema quer dizer “saída dos peixes para a desova”. O fenômeno é considerado essencial para a preservação dos peixes em rios e lagoas. A multa para quem desrespeita a proibição de pesca nessa época pode variar de R$ 500,00 a R$ 13 mil, conforme a infração registrada.
Na piracema, só é permitia a pesca com vara e linha de mão às margens dos rios. A quantidade não pode ultrapassar dez quilos.