Economia & Negócios

Burocracia emperra Banco do Povo

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Em funcionamento desde outubro de 2004 com a promessa de se transformar em uma importante ferramenta para os microempreendedores de Bauru, o Banco do Povo ainda opera de forma incipiente na cidade. No ano passado, foram apenas 78 contratos de financiamento assinados - o que corresponde a um valor total de R$ 259 mil. A verba disponível, no entanto, era de R$ 1 milhão: R$ 100 mil oriundos da prefeitura municipal e R$ 900 mil do governo do Estado.

Ou seja, apenas 25,9% do valor disponível foi negociado. Em 2006, foram emprestados R$ 236 mil num total de 83 contratos. Apesar de considerar que a média está de acordo com o desempenho das unidades abertas há pouco mais de três anos no Estado, o secretário de Desenvolvimento Econômico, Walace Garroux Sampaio, admite que o volume é baixo.

De acordo com ele, nas unidades paulistas do banco que operam com maior sucesso, a média é de 20 contratos liberados mensalmente. Em Bauru, atualmente, a média é de sete por mês. Na avaliação de Sampaio, o principal impedimento para a efetivação de um número maior de contratos é o rigor dos critérios exigidos para a concessão do crédito.

“As regras são fixadas pelo Estado e o município não tem autonomia para mudá-las. Entre as principais exigências estão a necessidade de um avalista com renda compatível ao financiamento solicitado e não ter o nome registrado no SPC e Serasa”, comenta.

Buscando formas de diminuir a burocracia em torno da concessão do crédito, a secretaria encaminhou uma proposta ao Estado para que seja criado um regime simplificado dentro do Banco do Povo. “Pedimos que, para um limite de até R$ 1 mil, fosse dispensada a figura do fiador e que parte do crédito obtido fosse liberada para que essa pessoa possa quitar a sua dívida e ‘limpar’ o nome. Mas não obtivemos resposta”, afirma Sampaio.

Taxa de juros

Por meio de uma parceria entre a Prefeitura Municipal de Bauru e o Governo do Estado, o Banco do Povo concede financiamentos de R$ 200,00 a R$ 5 mil para pessoas físicas ou jurídicas que desejam abrir seu próprio negócio ou investir em atividades já existentes. A taxa de juros aplicada é de 1% ao mês.

Embora a unidade de Bauru tenha sido inaugurada em 21 de julho de 2004, só passou a operar efetivamente com a concessão de créditos no mês de outubro daquele ano. Em outubro de 2006, a sede do banco foi transferida para a unidade do Poupatempo em Bauru. “Desde então, o número de pessoas em busca de crédito aumentou, mas a quantidade e volume de financiamentos concretizados permaneceram os mesmos, em razão dessas exigências, que não mudaram”, frisa.

• Serviço

O Banco do Povo funciona de segunda-feira a sexta-feira, das 9h às 18h, e aos sábados, das 9h às 14h, dentro do Poupatempo. A unidade fica na avenida Nações Unidas, 4-44, ao lado da Igreja Nossa Senhora Aparecida.

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