O residencial Chácaras Batalha, há 20 anos, era conhecido como “Ninho das Cobras”. Pelo apelido, presume-se que não era difícil encontrar o réptil rastejando entre as árvores das 60 propriedades do local. Agora, uma “família” de cobras mora numa das chácaras do residencial localizado na altura do quilômetro 372 da rodovia Marechal Rondon, entre Bauru e Avaí. Uma jibóia de aproximadamente dois metros de comprimento fez seu ninho no local e está com filhotes. A prole virou atração, mas também preocupa os moradores que têm medo do réptil, apesar da espécie não ser venenosa.
Segundo a motorista Sônia Lima Ramos Godeguezi, 47 anos, proprietária da chácara onde a jibóia fez o ninho, são 12 filhotes. Ela afirma que na última terça-feira viu a serpente perto da toca protegendo os filhotes. “Deu para ver apenas a metade da cabeça (da cobra), mas foi o suficiente para assustar”.
Os filhotes, atração “até não virarem adultos”, no entanto, estão causando preocupação. No local, passam crianças e animais, como cachorros e cavalos, além dos caseiros que cuidam das propriedades. “Venho para cá todo final de semana e quero protegê-las e a minha família também”, afirma Sônia. Outro motivo de preocupação é o fato do ninho ficar próximo a outras chácaras. Sônia conta que entrou em contato com o Corpo de Bombeiros e foi aconselhada a deixar as cobras em seu habitat natural. “Acho que vou deixá-las aí para que sigam o caminho natural da vida”, comentou.
A reportagem do Jornal da Cidade foi até à chácara e não conseguiu ver a cobra e seus filhotes porque estavam na toca. A tentativa de tirá-los do buraco não funcionou. Mas o bicho estava lá, pois puxou uma folha colocada na “boca” da toca. Mas os moradores chegaram a fotografar a prole. “A cobra aparece mais quando está sol”, diz Antônio Alves de Macedo, 64 anos, caseiro da propriedade de Sônia. Não há um consenso sobre o número exato de filhotes. Ele viu as cobras e garante que são, no mínimo, dez. “Tem que ficar esperto, senão....”, diz, se referindo ao risco remoto de ser atacado.
A analista ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) de Bauru Lélia Lourenço Pinto explica que as serpentes devem permanecer na natureza. “A jibóia é um animal da fauna silvestre brasileira selvagem, cuja captura, caça e perseguição são crimes, de acordo com a Lei de Crimes Ambientais 9605/98”. A guarda desse animal também resulta em crime, uma vez que no ano de 2003 foi proibida a criação de serpentes como animais de estimação. Em caso de encontrar cobra no quintal, ela orienta a população a procurar o órgão, que irá estudar cada caso e as medidas cabíveis.
A jibóia pode chegar a quatro metros de comprimento. Sua alimentação é baseada em aves e pequenos e médios mamíferos.