Internacional

Ridley Scott faz seu melhor longa em anos

Por Pedro Butcher | Folhapress
| Tempo de leitura: 1 min

Depois do bêbado-cambaleante “Um Ano Bom”, Ridley Scott recupera a sobriedade em “O Gângster”, um filme que narra uma boa história, quase sem firulas, com direito a grandes momentos de seus atores. “O Gângster” é o melhor trabalho de Scott em anos - mas o fato é que, mesmo tendo nas mãos elementos para criar um grande filme em torno do gangsterismo na América, Scott não chegou perto de um “O Poderoso Chefão”.

Talvez seu maior pecado seja a ambição épica, visível já no título original “American Gangster”, que reivindica para o filme uma originalidade absoluta - como se ele contasse a história do verdadeiro gângster americano, e não as outras “imitações”. A trajetória de Frank Lucas (Denzel Washington), traficante do Harlem que revolucionou o comércio de drogas no fim dos anos 60, é narrada por meio de um paralelismo.

De um lado, temos a contraposição entre a trajetória do gângster e a do policial que está em seu enlaço, Richie Roberts (Russell Crowe). De outro, o crescimento de Lucas e o momento histórico dos Estados Unidos (Vietnã, Nixon). O paralelismo é uma tentativa de dar conta da complexidade da situação, mas da forma como é aplicado, tem efeitos reducionistas.

A contraposição entre bandido e mocinho segue uma cartilha por demais básica: para cada qualidade de um, é apresentado um defeito do outro, ou vice-versa. Se vemos Lucas tratar bem a família, veremos Roberts negligenciar o filho; se vemos Roberts recusar propinas, veremos a brutalidade de Lucas. Esse método acaba comparando e nivelando coisas muito diferentes entre si em nome da humanização dos personagens. Ainda assim, “O Gângster” sustenta o interesse graças à força da história, até agora desconhecida (ainda que bastante romanceada, é verdade).

Comentários

Comentários