A sabedoria popular diz a verdade, de forma simples e compreensível para todos, utilizando imagens de fatos da vida real. Uma dessas imagens é ‘fazer espuma’. A espuma é um aglomerado de bolhas gasosas, volumoso, produzido por agitação, que causa efeitos, que às vezes impressionam, mas dura pouco e ao se desfazer não deixa nada. Assim, quando alguém diz que vai fazer isto e mais aquilo, de forma enfática, criando expectativas e esperanças e depois, com o passar do tempo, se verifica que nada, ou muito pouco foi feito, não há expressão melhor para qualificá-lo do que de ‘fazedor de espuma’.
Assim é o governo Lula, muitas idéias e poucas soluções. No final de 2006, quando ninguém agüentava mais ver na TV os caminhões atolados nas estradas federais, o governo deflagrou a operação tapa buracos. O ministro dos Transportes apareceu em cenas cinematográficas, num pequeno trecho que estava sendo recapeado, mostrando máquinas e operários trabalhando. Fazia acreditar que o governo havia encarado o problema pra valer. Ficou só no tapa buracos. Aliás, em administração também se chama de ‘tapa buracos” aquela, sem planejamento, que vai acudindo as emergências. E as cenas dos caminhões atolados e das crateras do asfalto já estão aparecendo, de novo, na televisão. Como saída, agora foi feita a privatização de algumas rodovias, com grande estardalhaço, mas, por enquanto, está só está no papel.
No começo do ano, quando se sabe que grandes planos exigem grande tempo de preparação, a toque de caixa, foi anunciado o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). No anúncio o presidente disse que ia transformar o país num canteiro de obras, expressão repetida agora pela ministra Dilma Rousseff. Não transformou. Diz a reportagem da Folha de 20/01: “Dividido em três eixos – logística, energia e social e urbano – e envolvendo R$ 504 bilhões em investimentos públicos e privados, de 2007 a 2010, o PAC empolga os empresários pelas possibilidades de negócios e frustra pela lentidão com que as coisas acontecem e pela dificuldade em acompanhar o que, de fato, está acontecendo. “O próprio governo, o mais entusiasmado com o programa, não fez a sua parte no primeiro ano. Dos R$ 16,5 bilhões previstos como parcela de gasto do governo, apenas R$ 5,4 bilhões foram efetivamente desembolsados em 2007. Isso, segundo cálculos do ministro Paulo Bernardo (Planejamento).” No setor de energia, Lula falou com convicção e até ironizando seu antecessor, que não haveria mais apagão. Embora continue afirmando, agora deve estar rezando para São Pedro mandar chuva para a cabeceira dos rios, para abastecer as represas, porque a situação promete ficar feia. Para completar, teve que se curvar às exigências irresponsáveis do PMDB, nomeando para o Ministério de Minas e Energia um político desgastado e leigo no assunto, que nem teve vergonha de dizer que estará sempre consultando a ministra Dilma Rousseff.
As notícias estão dando conta de que na 2ª quinzena de fevereiro o presidente Lula fará uma turnê, organizada pelo Ministério das Cidades, para lançar obras de saneamento. A promessa é de R$ 10 bilhões. Será que aquela espuma que, de vez em quando, surge no rio Tietê, em Pirapora do Bom Jesus, já é resultado desse programa? Também não vamos exagerar, dizendo que o governo Lula não fez nada. Há aspectos positivos, como dar continuidade à política antiinflacionária e criar um clima favorável aos investimentos privados, que vem resultando no crescimento do país. Mas, afora essas condições, o resto, em educação, saúde, segurança e infra-estrutura foram mais rompantes do que realizações. E seus ministros, dizendo e desdizendo, afirmando hoje e voltando atrás amanhã, fazem a agitação que aumenta a espuma. A prestação de contas da ministra Dilma Rousseff foi mais uma espuma, maquiando os dados do PAC.
O autor, Pedro Grava Zanotelli, é consultor e ex-presidente da Ordem dos Velhos Jornalistas de Bauru