Por ser econômica, cada vez mais a lâmpada fluorescente é usada em substituição à incandescente. Apesar de mais cara, a fluorescente consome 75% menos energia elétrica para produzir a mesma quantidade de luz. Mas na hora de descartar, ela é um problema. Como contém mercúrio, a lâmpada fluorescente não deve ser colocada no lixo comum, no aterro sanitário. Em Bauru, há descarte ecológico, mas custa R$ 0,60 a unidade, um entrave para a maioria das pessoas.
Numa cidade com mais de 350 mil habitantes, a cada seis meses, apenas cerca de 3 mil lâmpadas são entregues à Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) para o descarte ecológico, desenvolvido já há cinco anos em parceria com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma). Através dos serviços contratados de uma empresa da cidade, as lâmpadas fluorescentes são trituradas e devidamente descontaminadas.
O maior entrave, de acordo com Marina Carboni, diretora do Departamento de Ações e Recursos Ambientais da Semma, é a taxa de R$ 0,60 que os munícipes têm de pagar para entregar cada lâmpada. “A adesão da população ainda é pequena justamente por causa do custo, mas ainda há falta de conscientização e orientação”, destaca.
Ela explica que o valor cobrado é utilizado para pagar as despesas com a empresa contratada para fazer o descarte adequado das lâmpadas. Como o recurso precisa ser arrecadado para que o programa seja viável, a Semma estuda, ainda para este ano, extinguir cobrança aos munícipes e assumir os custos dessa destinação.
“Infelizmente, a maior parte das lâmpadas fluorescentes ainda é descartada incorretamente junto ao lixo comum, misturadas com os resíduos orgânicos, que vão para o aterro sanitário”, comenta.
Tecnologia
Em Bauru, o trabalho de descarte responsável das lâmpadas é realizado a cada seis meses no pátio do Setor de Coleta de Lixo da Emdurb. Segundo informou Solange Fernandes de Souza Gabriel, agente de administração da diretoria de Limpeza Pública da Emdurb, o valor cobrado dos munícipes é usado para custear os serviços de destinação ecologicamente correta dos resíduos.
“Trata-se de uma tecnologia importada. Em um sistema de sucção, a máquina tritura o material, que é separado em dispositivos. O vidro vai para o fundo de um tambor e o vapor de mercúrio fica retido em um filtro com carvão ativado”, detalha. Depois desse processo, o mercúrio é enviado ao aterro industrial de Paulínia (SP). O vidro é encaminhado a empresas de reciclagem.
Solange lembra que o próximo tratamento das lâmpadas ocorrerá em meados deste ano e quem estiver interessado em aderir ao projeto deve levar as lâmpadas até o pátio do Setor de Coleta de Lixo da Emdurb, que fica na rua Aparecida, 9-1, fundos, no Jardim Santana. O horário de atendimento é de segunda-feira a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 17h.
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Risco do mercúrio
Marina Carboni, diretora do Departamento de Ações e Recursos Ambientais da Semma, explica que o efeito cumulativo e persistente do mercúrio proveniente de muitas lâmpadas, quando descartadas em um mesmo aterro ao longo dos anos, será significativo.
Ao romper-se, uma lâmpada fluorescente emite vapores de mercúrio, substância tóxica que, além de trazer prejuízos ao meio ambiente, pode afetar o sistema nervoso do ser humano. Lançadas em aterro, elas podem contaminar o solo, rios e até os lençóis subterrâneos que fornecem água para a cidade.
No ser humano, tremores e dormência nos membros, fraquezas musculares, deficiências visuais, dificuldades de fala, paralisia e deformidades são alguns dos sintomas de doenças por intoxicação por mercúrio, que também pode causar a morte.