A morte de dom Cândido Padin deixa um grande vazio para os católicos e todos quantos sustentam sua fé na perspectiva da transformação da sociedade à luz da Doutrina Social da Igreja, numa palavra no Evangelho.
Ao lado de d. Evaristo Arns, d. Pedro Casaldáliga, d. Helder Câmara e tantos outros, d. Cândido Padin era considerado um dos mais ilustres bispos do Brasil e da América Latina, tendo exercido importantes funções no Celam (Conselho Episcopal Latino Americano), na III Conferência dos Bispos da América Latina - As conclusões de Pueb la e de Medelin, entre outras atividades internacionais.
No período da ditadura militar ofereceu-nos lições de coragem e fidelidade ao Evangelho quando insurgiu-se contra a famigerada Lei de Segurança Nacional sendo, por isso, perseguido e marcado pelos detentores do estado de arbítrio. Advogado, d. Padin deu lições memoráveis de Direito e Justiça.
Nos primeiros dias do golpe de 64, com as vestes episcopais, saiu em defesa dos jovens militantes da JEC e da JUC que, no Rio de Janeiro, haviam sido presos no Ministério da Marinha, e “sabia que se os deixasse ali por uma noite apenas, eles corriam o risco de desaparecer. Na verdade, durante todo aquele dia, eles não tinham sido sequer interrogados e nem foram chamados nos dias subseqüentes, demonstrando a completa desnecessidade da prisão” (trecho do livro de sua autoria “Itinerário de uma vida”- Edusc).
Foi com este inesquecível pastor que aprendemos lições perenes de Fé, Humanismo, Solidariedade, Compromisso e Justiça, valores que constituem o primado mais autêntico da sociedade que queremos construir.
O autor, Isaías Daibem, é professor, ex-vereador em Bauru