Política

Thame prevê intervenção em alianças

Associação Paulista de Jornais
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O presidente estadual do PSDB, Antonio Carlos Mendes Thame, acredita que a presença tucana, consolidada em 643 dos 645 municípios paulistas, terá reflexo direto na eleição de outubro, com um crescimento de 10% na bancada de vereadores e no total de prefeituras comandadas pelo partido no Estado.

Em entrevista exclusiva à APJ, o deputado federal sustenta que a aliança com o DEM não está ameaçada com o impasse da capital em torno das candidaturas de Gilberto Kassab e Geraldo Alckmin e diz que a cúpula estadual intervirá nos municípios em que o tucanato lançar candidato próprio. “Se, porventura, o município não lançar nome próprio, quem conduz a aliança é o diretório estadual”, afirma ex-prefeito de Piracicaba.

Associação Paulista de Jornais - O PSDB já detonou a largada do processo eleitoral em São Paulo?

Antônio Carlos Mendes Thame - Esse processo começou no ano passado, montando a estrutura dos vereadores e candidatos a prefeito nas cidades onde o partido é estruturado. Nós temos hoje o PSDB estruturado em 643 municípios dos 645 do Estado. E nesses dois municípios, vamos estruturar na primeira semana de fevereiro, mas só vamos poder contar com os candidatos que tiverem filiação antiga, pois não há tempo para lançar candidatos novos pelo prazo legal.

APJ - O partido trabalha com uma meta de crescimento de bancada de vereadores e de aumento das prefeituras?

Thame - É difícil fazer essa previsão. Teoricamente, aritmeticamente, como montamos o partido em 50% a mais dos municípios, nós deveríamos ter um crescimento de, no mínimo, 10% no número de vereadores e de prefeitos. Agora, é uma análise muitas vezes distorcida. É preciso qual o percentual de habitantes do Estado que são governados por administrações tucanas. Essa é a análise importante para nós.

APJ - Há espaço para avanço nesse espectro de centros urbanos médios e grandes do Estado? Existem cidades consideradas prioritárias para o PSDB na disputa deste ano?

Thame - Todas as cidades têm a mesma importância. Evidentemente, as cidades com maior densidade demográfica e eleitoral exigem um esforço, uma atenção maior, do partido. E isso está sendo feito.

APJ - E a política de alianças do PSDB, como está sendo desenhada?

Thame - A política de alianças só é encaminhada pelo diretório estadual, o que está sendo feito. O diretório municipal tem autonomia para lançar candidatos. Tem total autonomia para dizer quem é o candidato. Se, porventura, não lançar candidato, quem fecha é o diretório estadual.

APJ - O Democratas é o principal parceiro tucano nas últimas eleições. Esse cenário pode se reproduzir nas principais cidades do interior?

Thame - Nas eleições municipais, há o componente provinciano, o componente pessoal. É o que a gente chama de fulanização da política. Cria muitas vezes uma lógica própria, personalizada, em função das amizades, da simpatia, do trabalho pessoal em cada cidade. Então não dá para se estabelecer uma regra no sentido de determinar que em todos os municípios nós só podemos coligar com esse ou aquele partido. A questão do PT é mais fácil, pois há uma quase natural concorrência que se reproduz em praticamente todos os municípios.

APJ- O governador José Serra, apoiado nos seus índices de aprovação e no próprio resultado da eleição de 2006, é o mais importante cabo eleitoral do PSDB na eleição deste ano. Os feitos do governo serão usados como arma tucana na corrida por votos?

Thame - São coisas diferentes. Você usar as obras, as intervenções do Estado nos municípios onde estas intervenções foram feitas, é absolutamente normal. Outra coisa é utilizar a máquina numa eleição. Isso eu tenho a absoluta convicção de que o governador não vai admitir. É um dos pressupostos éticos que baliza seu comportamento. Agora que o candidato nosso a prefeito faça a divulgação de uma obra que foi feita por uma administração do PSDB, é um direito dele.

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