Recém-empossado na direção estadual do PT, o prefeito de Araraquara, Edinho Silva, faz uma defesa veemente da aliança com o PMDB no Estado e admite que o partido deve ceder a “cabeça” de chapa na eleição para prefeito em algumas das principais cidades paulistas.
Em entrevista exclusiva à APJ, Edinho reconhece as dificuldades de reinserção da legenda em um segmento da classe média do Estado depois de episódios como o “Mensalão” e o “Dossiêgate” e pede aos candidatos petistas que lutem para recuperar o diálogo com esta fatia do eleitorado. “Temos que ter real capacidade de interlocução com a vida real, com os cidadãos”, diz Edinho.
Associação Paulista de Jornais - Com a formação do Grupo de Trabalho Eleitoral, como o partido vai conduzir o debate das estratégias para outubro?
Edinho Silva - Nós elegemos o Grupo de Trabalho Eleitoral. A tarefa é fazer um diagnóstico das reais possibilidades do PT no Estado de São Paulo. É saber quais as cidades efetivamente o PT tem chance de eleger prefeito, em quais cidades a tática eleitoral vai ser mais no sentido de construção do partido, em quais cidades nós vamos apoiar candidatos e não liderar a chapa majoritária, o cenário eleitoral quantos às possibilidades de eleger bancada de vereadores. É um diagnóstico que temos que ter.
APJ - Qual a meta de aumento de bancada de vereadores e prefeituras?
Edinho - Eu não gosto de trabalhar com metas. O que nós temos que ter é um diagnóstico. Construir uma tática eleitoral que seja a melhor possível, tentar municiar os nossos candidatos para que o partido tenha interlocução com a vida real, com os cidadãos. Com isso, melhorar sua capacidade de interlocução. Se ele conseguir isso, mesmo com os problemas que o partido enfrenta no Estado, mesmo com o afastamento da classe média do PT, que é possível reverter, eu penso que o partido pode ter um bom resultado eleitoral. Mas estabelecer meta é temerário. Costumo fugir desta armadilha.
APJ - E a política de alianças, como está sendo traçada? Existe algum veto a partido com o qual o PT não deve ser alinhar?
Edinho - Existe uma orientação nacional para se evitar coligação com o PSDB e com o DEM. Mas temos que aguardar uma resolução, que deve ser baixada em fevereiro, que vai nortear a tática eleitoral em todos os Estados. Nós temos que procurar nossos aliados tradicionais em São Paulo e construir uma aliança com o PMDB no Estado. Uma aliança que, inclusive, vá além da discussão de 2008 e nos dê embasamento para construção de uma alternativa estadual forte para 2010.
APJ - Algumas legendas aliadas do governo Lula dão apoio ao PSDB em São Paulo. Há no horizonte chance de se reverter esse cenário, ampliando o arco de composições em favor dos candidatos petistas?
Edinho - Eu penso que o PT tem que disputar os partidos da base de coalizão. Mesmo muitos partidos da base sendo aliados do PSDB no Estado, temos que chamar para o diálogo, tentar construir propostas nos municípios onde essas siglas têm inserção. Não dá para entender que, se estão sob o guarda-chuva do governo do Estado, devam ser descartados. Eu acho que o PT tem que disputar este apoio.
APJ - O partido trata algumas cidades como prioritárias?
Edinho - Temos que ter essa radiografia primeiro para definir o que é prioritário, o que o partido tem chance de disputar e onde vai construir bancada de vereador. Inclusive, onde fará parte de coligação liderada por outros partidos. Esse é o trabalho do Grupo de Trabalho Eleitoral.
APJ - O PT vai orientar seus candidatos na captação de recursos para a campanha?
Edinho - Essa é uma das preocupações. Com certeza, vamos chamar uma reunião para que possamos discutir estas questões e criar instrumentos de comunicação que a gente possa fazer chegar aos nossos filiados todas as orientações sobre a legislação eleitoral, inclusive diante da postura de arrecadação.