Regional

Justiça decreta prisão temporária do suspeito do envenenamento em Garça

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 3 min

O juiz José Renato da Silva Ribeiro, da 1.ª Vara da Comarca de Garça, concedeu a prisão temporária (30 dias) para o homem de 29 anos suspeito de ter envenenado três mulheres, anteontem, na cidade. Elas passaram mal após tomar café no viveiro de mudas onde trabalham. Duas morreram logo após a ingestão e a outra vítima, por ter bebido uma quantidade menor de café, conseguiu escapar com vida.

A imagem do suspeito, Adriano Galeriani, está sendo preservada pela polícia, que apura as denúncias contra ele. O rapaz, que está detido na Cadeia Pública de Garça, nega a acusação do crime e diz que tinha bom relacionamento com as vítimas.

Conforme a delegada Márcia Cassoni, que acompanha o caso, a garrafa com o café ingerido pelas trabalhadoras foi encaminhada ao laboratório do Instituto de Criminalística de São Paulo.

Ainda pairam muitas dúvidas e controvérsias sobre as mortes. Enquanto alguns parentes negam que tenha havido qualquer desentendimento no trabalho envolvendo as três vítimas, outros afirmam que os relacionamentos estavam estremecidos há alguns meses.

Maria Alves Quintanilha, filha de Nilsa de Fátima Gouveia Quintanilha, 42 anos, que morreu antes de chegar ao Pronto-Socorro, revelou à reportagem que sua mãe tinha a intenção de sair do emprego, mas negou que seria por motivos de desavenças com colegas de trabalho. “Ela não reclamava de nada, estava trabalhando sem nenhum problema. Minha mãe só queria sair do serviço porque o viveiro fica longe da casa onde ela morava, então não estava compensando”, comentou a moça, que está grávida de oito meses. Além de Maria, Nilsa deixou três filhos homens, de 17, 19 e 21 anos.

Para o marido de Nilsa, Júlio Alves Quintanilha, algum desentendimento ocorreu na empresa entre as três vítimas e outros funcionários. “Não posso confirmar nada, mas ela (Nilsa) vinha reclamando sobre coisas vergonhosas que estavam acontecendo no serviço. Por conta disso, pediu a conta para o patrão, que ficou de resolver. Fora isso, ela queria ter tempo para ajudar a filha, que está para ganhar nenê”, ressalta. Ainda segundo ele, Nilsa era uma pessoa querida por todos e que tinha muitas amizades.

A barbárie contra as três mulheres chocou parentes e amigos. Alcides Carvalho, cunhado de Nilsa, não vê justificativa para o que aconteceu. “Pelo que escutei falar, deve ter ocorrido uma discussão simples, que resultou nessa vingança inexplicável. Não havia motivo para tudo isso”, enfatizou indignado.

“Foi uma surpresa muito grande e desagradável para a gente. Não dá para entender”, diz Sueli Cristina Mian, cunhada da outra vítima, Luciana Cristina de Souza Santos, 37 anos. “Ela era uma pessoa maravilhosa, trabalhadora e feliz”, descreve.

O marido de Luciana, Paulo Silva Mian, que teve dois filhos com ela, hoje com 9 e 15 anos de idade, disse à reportagem que sua mulher não era uma pessoa explosiva e que, pelo que tem conhecimento, não estava com problemas de desentendimento no trabalho. “Ela nunca me fez reclamação alguma. Até porque, se eu soubesse de algo, já teria ido averiguar. Esse é um problema, estou esperando passar essa fase do sepultamento para entrar em contato com a polícia. Quero saber a veracidade dessas acusações e o envolvimento desse rapaz que está detido”, completou.

Disciplina

De acordo com o empresário Gustavo Guerreiro, dono do viveiro onde as três vítimas trabalhavam, o acusado, Adriano Galeriani, seu encarregado-geral, sempre foi uma pessoa de confiança e de bom relacionamento.

O rapaz trabalha na empresa há cerca de três anos e nunca apresentou problemas de disciplina. “Sempre foi uma pessoa muito cordata, ordeira e sempre prestativa. O que posso dizer é que ele trabalha comigo faz bastante tempo e que não posso afirmar nada, porque quem vai julgá-lo é a Justiça através das provas”, pontuou. Para ele, podem ter ocorrido alguns desentendimentos entre os funcionários, mas nada que desse motivo às mortes.

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