Geral

Chuva afasta medo de novo apagão

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

A chuva que caiu sobre o Estado de São Paulo nas últimas duas semanas serviu para restabelecer a normalidade nos reservatórios das usinas hidrelétricas instaladas na região. Antes da “mãozinha” dada por São Pedro, todos os reservatórios estavam abaixo da média prevista para o período. Embora comum para esta época do ano, a constatação de que os níveis estavam baixos serviu para levantar suspeitas de que um novo apagão estava prestes a ocorrer. De acordo com especialistas ouvidos pelo JC, o risco está descartado, pelo menos, para este ano.

Segundo o engenheiro Carlos Kirchner, depois do apagão de 2001, o governo federal tomou uma série de precauções que reduziu o risco de novo desabastecimento de energia. “Hoje, o Brasil consegue enfrentar melhor o problema. É possível deslocar energia de uma região para outra com mais rapidez. Além disso, existem mais opções para geração de energia”, afirma o engenheiro, que trabalhou durante 27 anos na Companhia Energética de São Paulo (Cesp) e hoje atua como consultor na área de energia.

O nível dos reservatórios, chamado de energia armazenada, indica o estoque de energia disponível na forma de água armazenada nos reservatórios das usinas. Na região, existem três reservatórios de acumulação: Barra Bonita, Promissão e Jurumirim (Piraju).

Os reservatórios de acumulação têm por finalidade acumular parte das águas que caem nos períodos chuvosos para compensar as deficiências nos períodos de estiagem, exercendo um efeito regulador das vazões naturais. Em geral, os reservatórios são formados com barragens.

Na semana passada, os três reservatórios citados estavam com níveis próximos do normal para o período. O de Barra Bonita estava operando com 70% de sua capacidade de armazenamento. O ideal para essa época do ano, segundo informou Antônio Carlos Garcia, gerente de operações da AES Tietê, administradora da usina, é que o nível do reservatório esteja 449 metros acima do nível do mar. Na terça-feira passada, estava um metro abaixo, com a previsão de atingir o índice recomendado já nesta semana.

O nível do reservatório de Promissão, por sua vez, estava bem próximo do normal, com apenas alguns centímetros abaixo do nível previsto para a época. Na Usina de Jurumirim, o nível estava em 50,5%, considerado regular na avaliação de Paulo Ricardo Laudanna, gerente de operações da Duke Energy, administradora da usina.

Os demais reservatórios da região, localizados em Bariri, Ibitinga e outro em Piraju, são do tipo fio d’água (não possuem capacidade de acumulação), que não têm controle sobre o nível de água armazenada. Eles ficam mais ou menos cheios dependendo das operações realizadas nas usinas de acumulação, que ficam imediatamente acima deles.

Segundo Laudanna, falar em risco de apagão nesse momento é muito prematuro. De acordo com ele, o correto é esperar passar o período de chuvas. Somente depois será possível especular se há ou não risco de desabastecimento. “Tem ano que a chuva chega antes, em outro, ela chega depois. Pode ser que ainda tenha muita água para cair antes de terminar o verão. Temos de esperar.”

O gerente de operações da Duke Energy diz que as previsões ficam mais fáceis a partir de abril. Na opinião dele, diante dos índices atuais, as expectativas são boas para este ano.

Comentários

Comentários