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Suharto, ex-presidente da Indonésia, morre após ficar 23 dias internado

Folhapress
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Cingapura - O ex-ditador indonésio Suharto, 86 anos, morreu ontem no hospital Pertamina de Jacarta, após perder a consciência e entrar em coma. O ex-líder governou com mão de ferro a Indonésia de 1967 a 1998, quando foi forçado a renunciar por uma crise econômica e uma revolta popular.

Ele estava internado há 23 dias na Capital indonésia, com pressão baixa, edema e outros sintomas. Ele morreu à 13h10 (4h10 de Brasília), afirmou o médico Christian Johannes, após uma falência múltipla dos órgãos.

Porta-vozes dos médicos assinalaram em entrevista coletiva que o paciente perdeu ontem a consciência pela primeira vez desde sua internação e que voltou a precisar da ajuda de aparelhos para respirar.

Na sexta-feira, ele havia conseguido voltar a respirar sozinho. Os médicos acrescentaram que a pressão sanguínea de Suharto estava muito baixa. O ex-ditador sofreu várias recaídas desde que chegou ao hospital, no dia 4 de janeiro.

Os 32 anos do governo ditatorial de Suharto na Indonésia foram marcados por medidas consideradas antidemocráticas e escândalos de corrupção. O ex-general dirigiu um regime que alcançou um rápido desenvolvimento econômico à custa da proibição de liberdades políticas e forte corrupção.

Suharto foi acusado de causar prejuízos ao Estado no valor de cerca de US$ 600 milhões e de construir uma fortuna ilícita de bilhões de dólares durante o seu governo.

A organização Transparência Internacional estima que a família de Suharto acumulou até US$ 35 bilhões de maneira fraudulenta. Ele lidera as listas de dirigentes mais corruptos das últimas décadas elaborada pelo Bird (Banco Mundial) e pela organização Transparência Internacional, mas nunca foi julgado em seu país.

Direitos humanos

O ex-ditador também é criticado pela invasão e ocupação do Timor Leste, que resultou na morte de ao menos 200 mil pessoas, segundo grupos de direitos humanos. Em maio de 1998, foi obrigado a renunciar, após meses de protestos e uma insatisfação geral devido à crise econômica que a Indonésia atravessava.

Manifestações populares o acusavam de levar a nação à falência e de não coibir eventuais abusos contra os direitos humanos. Suharto negava todas as acusações.

O ex-general escapou de ir aos tribunais depois que uma equipe médica declarou que ele sofria de “dano cerebral permanente” causado por dois infartos, o que impossibilitava seu testemunho. Em 2006, a Indonésia decidiu retirar as acusações de corrupção contra Suharto. “O caso foi encerrado, Suharto não é mais um acusado, é um homem livre”, disse o procurador-geral da Indonésia, Abdul Rahman Saleh, na ocasião.

Segundo o procurador-geral, a decisão foi tomada devido ao estado de saúde “precário” de Suharto. Na ocasião, ele foi internado no hospital Pertamina - onde morreu ontem - por causa de uma hemorragia intestinal.

Os críticos afirmam que o ex-ditador tem que devolver o dinheiro que teria roubado quando governou, e deveria ser julgado por sua participação no assassinato de ao menos meio milhão de dissidentes políticos durante seu regime.

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