Estudiosos no assunto e cientistas têm nos alertado, há décadas e até mesmo há alguns séculos, quanto aos fatores desencadeantes da urbanização e desenvolvimento industrial acelerados e dos prováveis danos à natureza.
Nós, de um modo geral, pagamos o preço de também ter contribuído de forma não intencional para o desequilíbrio ambiental gerado no decorrer do tempo e da história. Afinal, fomos nós quem invadimos as regiões silvestres, “habitat” natural desses insetos e de outros agentes que participam de cadeias epidemiológicas.
No caso da dengue, doença totalmente urbanizada, a principal intervenção se dá por meio de ações educativas e de promoção da saúde, que requerem mudança de comportamento da população para o desenvolvimento de hábitos saudáveis. Trata-se de um processo educacional, que engloba a sociedade, os educadores, o Estado e a população em geral. O trabalho de controle é desenvolvido rotineiramente e também requer informação, comunicação e, conseqüentemente, educação, com resultados satisfatórios ou não, analisados periodicamente pelo Município e, ainda, pelos Gestores Estadual e Federal.
Diferentemente, em relação à febre amarela, há a vacina contra a doença como forma de prevenção eficaz que, no entanto, exige critérios para sua aplicação. No Brasil, a febre amarela é estritamente silvestre e não ocorre no meio urbano desde a década de 40. O seu ciclo silvestre acontece entre primatas não humanos (macacos) e o mosquito Haemagogus, sendo que este último não habita áreas urbanas. A preocupação com a transmissão em áreas urbanas inicia-se a partir do momento em que se sabe que o Aedes aegypti tem condições de transmitir o vírus dessa doença. Assim, combatendo a dengue em área urbana, estaremos combatendo a febre amarela, uma vez que é impossível eliminar o seu ciclo silvestre.
Departamento de Saúde Coletiva - Secretaria Municipal de Saúde