Os três novos corredores comerciais e de serviços, autorizados pela Câmara Municipal de Bauru em sessão realizada segunda-feira, situam-se em área estritamente residencial. O Legislativo havia aprovado a proposta do vereador Salvador Afonso (PDT) no final do ano passado, mas como o prefeito Tuga Angerami a vetou, o assunto entrou novamente na pauta da Casa de Leis, anteontem. Os vereadores derrubaram o veto e mantiveram a liberação para comércio se instalarem em três endereços.
O vereador Salvador Afonso explicou que entrou com o projeto de lei a pedido de moradores e comerciantes interessados em instalar, no futuro, estabelecimentos comerciais nesses bairros. Mas o Executivo argumentou, no veto, que a transformação das ruas em corredores comerciais traria conflito com a natureza que lhes foi conferida pela lei de zoneamento.
Mas a reportagem esteve ontem em dois dos corredores para verificar a atual situação deles. Um situa-se na quadra 3 da rua Alberto de Brandão Rezende, na Vila Amália. O quarteirão é de pequena extensão, com um edifício, um escritório de advocacia, um terreno à venda e residências. Não há sinais de comércio no local. Para o médico Mário Schuarzberg, que reside nessa quadra, não faz sentido um corredor comercial no local. Segundo ele, é mais urgente que a rua passe a ter mão única.
Mas uma pessoa que preferiu não se identificar disse que é favorável ao projeto aprovado pela Câmara Municipal. O morador opinou que a medida não causaria prejuízo, já que a região é mista, com casas e estabelecimentos comerciais.
A reportagem visitou também a rua Cícero Coelho Caldas, no Parque Residencial Castelo. Nesta há apenas uma quadra instalada. De um lado existem imóveis residenciais; do outro, mato alto. A rua está sem asfalto inclusive. A estratégia do corredor comercial no local é que em breve será inaugurada uma faculdade naquelas imediações. “Muitos alunos circularão por ali, daí o interesse dos comerciantes”, explicou Salvador Afonso.
Duas moradoras da rua Cícero Coelho Caldas não vêem objeção na transformação da rua em corredor comercial, desde que os moradores sejam beneficiados. “O comércio aqui facilitaria a vida de todos, mas não queremos botecos vendendo bebidas alcoólicas”, ressaltou a vendedora autônoma Solange Aparecida Lima Fonseca. A questão é que a lei não pode impedir um tipo específico de comércio.
Segundo ela, há pessoas querendo comprar os terrenos do outro lado da rua, mas os proprietários não vendem. Fonseca comentou que enquanto isso não acontece o mato alto favorece a proliferação de insetos e pequenos animais, como roedores e cobras. Até raposa a vendedora viu.
Residente no local há cinco anos, a dona de casa Maria Del Rey Lima disse que a instalação de lojas é bem-vinda, no entanto a necessidade mais urgente é o asfaltamento da rua e seu prolongamento até a rua Moussa Tobias, antiga Jânio Quadros. Ou seja, alheios à aprovação de lojas comerciais, os moradores querem a pavimentação da rua.