De olho no segundo turno das eleições deste ano, os partidos que tentam compor aliança para enfrentar o tucano Caio Coube na eleição de outubro decidiram ontem estabelecer uma carta de princípios e formar um grupo para elaboração de proposta de governo conjunta. Mas no conteúdo de mais uma rodada de conversações envolvendo PMDB, PC do B, PSB, PT, PDT e agora PRB, o que ficou definido mesmo é o batismo do grupo: Frente Democrática por Bauru.
No mais, os representantes dos partidos que compareceram à reunião ontem, na sede do PC do B, na rua Gérson França, discutiram que não estão fechadas as portas para diálogo com outras legendas. A questão principal, por ora, parece ser a de formação de uma bloco alternativo ao favoritismo da candidatura tucana, que tem o empresário Caio Coube como pré-candidato.
De olho nesta estratégia, os componentes da frente não esboçaram reação contrária à eventual conversação com o PTB e o PP. O pedetista João Herrmann informou que interlocutores dos dois partidos sondaram a possibilidade de se incorporar à frente. O grupo definiu que se os petebistas e pepebistas tiverem interesse real em engrossar o bloco, devem enviar representante oficial, do comando, na próxima reunião.
Observada a entrelinha do comentário de Herrmann, é possível perceber que este tipo de desenho de aliança seria o sonho de consumo político do governo federal do presidente Lula. Ou seja, a formação de bloco em municípios médios e capitais compostos pelos partidos que formam a base de sustentação em Brasília (DF) ou, em alternativa, pelo menos de uma aliança anti-tucana.
Para tentar avançar na proposta, ficou estabelecido que cada legenda participante vai se “estressar” para apontar seu pré-candidato. Depois, em outra fase, os representantes se sentam e a frente aprovam o nome mais indicado. Para a proposta conjunta e unificada de governo, a frente definiu que cada partido indica até três membros para compor a proposta e encaminhar as decisões nas próximas reuniões.
Resistência e posição
Mas se na reunião de ontem ficou claro que a frente democrática – até então somente de esquerda e por vezes com tom popular – aceita conversar com outras tendências ainda no primeiro turno da eleição municipal deste ano, o mesmo não ocorre quando o tema é a lista de pré-candidatos.
Neste campo, como era de se esperar, a costura do tecido do bloco não será simples. De saída, os pedetistas não ficaram satisfeitos com o que ouviram ontem. O presidente do PDT, Faria Neto, pregou que o ex-prefeito Antonio Izzo Filho merece uma chance, que este errou mas cumpriu seus pecados administrativos, que sentou-se com ele e firmou “compromisso olho no olho”.
Mas não será fácil para o PDT tentar insistir em encaminhar Izzo ou um nome a ele ligado, como a esposa Rosa, numa eventual cabeça de chapa pelo grupo. O PC do B deixou claro que pelo “histórico” e a linha de conduta, não há como conversar com Izzo. O PSB foi claro: “Se vier para a reunião, nós saímos juntos com o PC do B”.
João Herrmann tentou contemporizar dizendo que “o momento era inoportuno para discutir nomes” e que em discussão sobre moral o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso era pior e que agora é hora de “construir uma proposta comum em favor de Bauru”. Mas o eco de rejeição foi mais forte na reunião.
Como Faria insistiu, coube a Antonio Pedroso Júnior, do PSB, estancar a questão: “Se for na base do achei não funciona. O Izzo não pode nem ser discutido porque é inelegível até 2013 e cumpre condenação criminal ainda. Não pode nem votar e nem ser votado”.
Para abraçar tendência majoritária dos partidos da frente em buscar outro perfil para representá-los na disputa eleitoral, todos os representantes assinalaram na Carta a Bauru definida ontem os princípios do possível bloco.
O quinto parágrafo da carta retirada da reunião de ontem assinalou os princípios que a frente quer quando da definição do nome do candidato e da linha de ação do grupo: “Em um município importante como Bauru, a constituição da Frente representa a certeza de impedir que setores que costumeiramente governam continuem favorecendo uma minoria privilegiada com a utilização de recursos públicos. Representa barrar a volta daqueles que fizeram uso indevido do dinheiro público para enriquecimento ilícito e favorecimento de corrupção”.