São Paulo - A bancada do PT na Assembléia Legislativa de São Paulo começou a articular ontem a instalação de uma CPI para investigar o uso dos cartões de pagamento do governo do Estado. Os petistas tentam convencer os líderes dos partidos a assinar o requerimento com pedido de investigação. São necessárias 32 assinaturas para protocolar o pedido, mas a oposição tem apenas 22 deputados - 20 do PT e dois do Psol.
O líder da bancada do PT, deputado Simão Pedro, disse que será um trabalho de convencimento individual, inclusive com os deputados tucanos que compõem a base de sustentação do governador José Serra (PSDB). “Já que o governo diz que não tem nada a esconder, melhor abrir a CPI”, disse o petista.
A articulação com os líderes das bancadas em favor da CPI na Assembléia Legislativa está sendo coordenada pelo deputado Enio Tatto (PT). Além de convencer os parlamentares da base aliada a assinar o requerimento para protocolar o pedido de CPI, Tatto ainda têm que negociar a aprovação do documento em plenário com 44 votos favoráveis, no mínimo, para que a comissão seja instalada. Isso porque o regimento interno da Assembléia só permite que cinco CPIs tramitem ao mesmo tempo, o que já ocorre na Casa.
Anteontem, o governador disse não temia uma CPI porque não via evidências de mau uso dos cartões de pagamento. Serra afirmou também que não iria orientar as bancadas dos partidos que apóiam o governo porque, segundo ele, não iria interferir em um assunto que é da Assembléia.
Simão Pedro negou que a CPI para investigar os cartões do governo paulista será uma “retaliação” ao PSDB, que articulou no Congresso a instalação de uma comissão para investigar o uso dos cartões corporativos do governo federal. “Ninguém quer revanchismo. Queremos a investigação para aprimorar o sistema (de pagamento em São Paulo)”, afirmou o petista, que também negou ter recebido orientações da Executiva Nacional do PT para instalar a CPI na Assembléia.