Durante pouco mais de meia hora, a família de Carlos Rodrigues Júnior, 15 anos, conversou ontem com três representantes da Procuradoria Geral do Estado sobre a indenização pela morte do adolescente durante abordagem policial em 15 de dezembro do ano passado, no Núcleo Mary Dota, em Bauru. A reunião, na Procuradoria Regional de Bauru, terminou sem nenhuma das partes comentar sobre o valor proposto pelo governo.
A assessoria de comunicação da Procuradoria Geral do Estado confirmou que foi apresentada proposta de valor da indenização à família considerada a ideal pelo governador do Estado de São Paulo, José Serra. A indenização foi garantida através do decreto n.º 52.521, publicado no Diário Oficial do dia 21 de dezembro de 2007.
A reunião entre a procuradora assistente Paola de Almeida Prado e o procurador adjunto Marcelo de Aquino, ambos da Procuradoria Geral do Estado, e a procuradora chefe Marta Adriana Gonçalves Dias, da Procuradoria Regional de Bauru, e familiares de Rodrigues Júnior foi acompanhada apenas pelo advogado da família.
Ao final da reunião, o advogado desconversou sobre a informação de que o valor da indenização havia sido definido. “Não ficou nada definido. Temos a necessidade de juntar mais alguns documentos e foi por isso que a reunião foi solicitada, já que a Procuradoria não possui contato direto com a família”, disse André Luiz Gonçalves Veloso.
Segundo ele, a família não estipulou valor para a indenização. “Sempre quando converso com a dona Elenice (mãe do adolescente) perguntando quanto é (o valor da indenização), ela me responde perguntando quanto custa um filho, e isso eu não sei dizer”, comentou.
Veloso, argumentou, inclusive, que o encontro serviu para esclarecer a ausência de documentos pessoais por parte da família importantes para o processo de indenização. Como é um processo de negociação, depende da família aceitar os valores ou apresentar contraproposta ao Estado que, por sua vez, irá avaliar o pedido.
Paralelamente ao trâmite para indenização, os seis policiais acusados de torturar e matar o adolescente que era suspeito de ter roubado uma motocicleta estão presos na Capital e respondendo processo criminal por homicídio e administrativo, no qual podem ser expulsos da Polícia Militar.