Bairros

CEF libera 20% mais dinheiro para moradia, mas esgoto atrapalha

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 3 min

Nada menos que R$ 30,7 milhões foram liberados pela Caixa Econômica Federal (CEF) para financiar habitação em Bauru no ano passado, valor 20% a mais que em 2006. Porém, o montante poderia ser ainda maior caso a cidade já contasse com tratamento de esgoto. Ocorre que, desde maio de 2004, por uma decisão da Justiça Federal, a instituição financeira está proibida de aprovar a liberação de recursos oriundos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para a aplicação em moradias em Bauru por falta de tratamento de esgoto.

Em toda área da superintendência regional da Caixa, 95 municípios, foram aplicados R$ 147 milhões em habitação no ano passado. O superintendente regional da CEF em Bauru, José Paulo Gomes de Amorim, explicou que para incluir sistema de tratamento de esgoto no projeto da moradia, como fazem alguns empreendedores do setor, os imóveis ficarão mais caros e deixarão de atender a população de baixa renda, que é o público-alvo dos empreendimentos financiados com o FGTS.

“Não dá para fazer porque encarece, mas a cidade está se mexendo para resolver o problema e esperamos que em breve essa situação mude”, comentou. Mas o impedimento deve persistir por mais alguns anos - o prefeito Tuga Angerami assinou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público comprometendo o município a entregar as obras da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) até 2013.

Segundo o superintendente da Caixa, não é possível estimar quantas pessoas deixam de ser beneficiadas com o financiamento do FGTS em Bauru, mas ele destacou que a procura por esse tipo de financiamento é grande. De acordo com Amorim, de 7 mil a 8 mil pessoas procuram o banco para obter informações sobre os financiamentos da Caixa.

As vantagens dos imóveis financiados com recursos do FGTS são inúmeras. De acordo com Amorim, a principal delas é o fato da pessoa só começar a pagar depois que receber as chaves. “Muitas pessoas que procuram esses financiamentos ainda pagam aluguel e têm dificuldades para assumir as prestações. Então, a Caixa só começa a cobrar a partir do momento que elas entram no imóvel”, explicou.

Segundo o superintendente, são poucos os municípios que têm problemas semelhante ao de Bauru, mesmo entre os que compõem a região. “A maioria das cidades já conta com o tratamento de esgoto. Ainda há alguns municípios que têm esse problema, mas estão resolvendo, assim como Bauru”, ressaltou.

Em Bauru, quatro agências da Caixa possuem atendimento específico para habitação: Altos da Cidade (rua Rio Branco, 24-75), Duque de Caxias (avenida Duque de Caxias, 18-75), Bauru (rua Gustavo Maciel, 7-33) e Centenário (rua Agenor Meira, 6-28).

____________________

Estimativa

Para 2008, os valores de financiamento da Caixa para habitação podem aumentar ainda mais. Segundo José Paulo Amorim, superintendente do banco, o orçamento para habitação será de R$ 20,3 bilhões, sendo que para a superintendência regional de Bauru, o valor inicial para habitação é de R$ 135 milhões.

“A Caixa já está com este valor, isso quer dizer que, conforme a demanda, nós podemos utilizar esses recursos, mas não é um valor fixo e pode aumentar conforme a necessidade”, frisou.

Uma das novidades apresentadas pela Caixa são as ‘ilhas habitacionais’, localizadas nas agências. As ilhas são formadas por equipes especializadas que fornecerão informações e farão operações de financiamento imobiliário para até dez clientes simultaneamente. A idéia é agilizar o atendimento aos mutuários.

Comentários

Comentários