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Aids: 43,7% dos casos são detectados tarde

Por Ana Paula Ribeiro | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - O acesso dos portadores de HIV ao sistema de saúde é tardio no Brasil, o que dificulta o tratamento. Para mudar o quadro, o Ministério da Saúde quer intensificar o uso dos testes rápidos nas unidades médicas, disse ontem a diretora do Programa Nacional de DST/Aids, Mariangela Simão. “O diagnóstico precoce ainda é a melhor forma de melhorar as condições de vida das pessoas portadoras do vírus.”

O relatório “UNGASS: Resposta Brasileira à Epidemia de Aids 2005-2007” mostra que 43,7% das pessoas que buscam acompanhamento clínico já estão com uma deficiência imunológica severa ou com quadro com sintomas da aids. O óbito no início de tratamento acontece em 28,7% dos casos.

O relatório ressalta, porém, que o índice de acompanhamento tardio está dentro do registrado em países desenvolvidos, onde varia entre 15% e 45%. Há diferenças entre a busca por tratamento conforme as regiões do País. A região Sul tem o menor índice de início tardio, com 40,8%. Já a Norte é onde os portadores do HIV iniciam o tratamento mais tarde - 50,3%.

No País, o tratamento aos portadores de HIV atinge 94,8% dos pacientes, sendo que 97,2% permanecem vivos após 12 meses de tratamento e 91% após quatro anos de tratamento.

Segundo o relatório, a busca tardia pode ser atribuída ao medo do diagnóstico, à dificuldade de acesso ao serviço ou a não-identificação da pessoa como vulnerável à doença. Simão ressalta que é importante fazer o teste quando a pessoa compartilhou agulhas ou fez sexo desprotegido pois o tratamento tardio aumenta o risco de morte, os custos no sistema público de saúde e também o risco de transmissão.

Testes rápidos

Para combater esse quadro, o Ministério da Saúde amplia a aplicação dos testes rápidos, em que o resultado sai no mesmo dia.

No teste rápido são realizadas duas coletas de sangue. Se ambas indicarem positivo ou negativo, não há necessidade de contraprova. Se os resultados forem distintos, é realizado um terceiro teste ou o sangue é encaminhado a um laboratório. “Com certeza o teste rápido facilita o tratamento. É claro que a pessoa precisa se dispor a fazê-lo, mas o serviço de saúde também tem que facilitar o acesso”, disse a coordenadora. Em 2005, foram 510 mil testes e em 2007 o total chegou a um milhão.

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