Pouca gente sabe, mas a data de hoje tem um significado histórico para Bauru. Há exatos 100 anos, em 16 de fevereiro de 1908, a cidade, então com pouco mais de 11 anos de vida, recebia pela primeira vez a visita de um presidente da República. Afonso Pena esteve na cidade para a inauguração do segundo trecho da estrada de ferro Noroeste do Brasil (NOB), entre as estações Lauro Muller, em Guarantã, e Hector Legru, atual município de Promissão.
De acordo com o jornalista e historiador Luciano Dias Pires, na ocasião, além de Afonso Pena, estiveram presentes o presidente do Estado (cargo equivalente ao de governador), Jorge Tibiriçá, o ministro da Viação, Miguel Calmon e outros convidados ilustres. Pires destaca que a visita do presidente da República a Bauru reforçava a posição da cidade como um dos pólos de transporte mais importantes do País, já que a ferrovia Noroeste do Brasil partia de Bauru, com destino à região central do Brasil.
A cidade se mobilizou para receber o visitante ilustre, conforme conta Pires. “O presidente Afonso Pena e comitiva foram saudados pelo povo e mais tarde participam de banquete, onde o presidente da NOB, João Teixeira Soares, em breve discurso acentuou a significação da visita presidencial e prometeu que a NOB iria acatar às deliberações do governo, para que a influente via férrea fosse concluída o quanto antes”, explica o historiador.
Pires conta ainda que o primeiro jornal da cidade, “O Bauru”, fundado por Domiciano Silva, noticiou amplamente a visita de Afonso Pena e fez um histórico sobre a companhia que formava a NOB. Segundo Pires, as informações contidas no antigo jornal mostravam que a Companhia de Estradas de Ferro Noroeste do Brasil foi organizada, na verdade, para construir a estrada de ferro de Uberaba a Coxim, em Minas Gerais, cuja obra seria realizada pelo Banco União de São Paulo, em 1890.
Em 1904, as concessões foram revistas e o traçado das estradas de ferro Uberaba-Coxim e Catalão-Palmas foi alterado, de modo que a ferrovia partisse de Bauru. Em seguida foi feito o reconhecimento para a construção de 100 quilômetros da Noroeste do Brasil, que viria a se tornar uma das principais ferrovias do País.