A partir de hoje, os relógios da população das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do País voltaram ao normal. Quem mora nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal atrasou seus relógios em uma hora neste sábado para domingo, voltando para as 23h.
Com isso, chega ao fim do horário de verão, iniciado no dia 14 de outubro do ano passado, totalizando 125 dias de vigência. O principal objetivo da medida era reduzir a demanda por energia elétrica, ou seja, a quantidade máxima de energia consumida geralmente entre 17h e 22h. A previsão do Ministério de Minas e Energia era economizar mais de 2 mil MW, o que significa uma redução entre 4% e 5%.
Mesmo com a regularização dos relógios, a economia de energia elétrica deve continuar. Por isso, é bom ficar atento em relação aos eletrodomésticos dentro de casa. Evite deixar a TV ligada quando não estiver assistindo, dormir com o aparelho ligado, tomar banhos demorados, abrir a geladeira toda hora e deixar luzes acesas durante o dia ou quando o cômodo estiver vazio. Essas são grandes iniciativas para controlar o consumo.
De acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), os resultados preliminares indicam redução de 4,2% na demanda máxima nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. Isso eqüivale a 1.557 MW (megawatts), ou 60% da demanda da cidade do Rio de Janeiro.
Na região Sul, a redução da demanda foi de 4,8%, o equivalente a 480 MW ou 80% da demanda de Curitiba (PR). Demanda é a quantidade máxima de energia consumida em determinado momento do dia.
O governo justifica a mudança do horário porque nesta época do ano há um aumento da demanda provocado pelo crescimento da produção industrial para o Natal (período entre outubro e dezembro) e, também, do uso de ar-condicionado devido ao calor (de dezembro em diante).
De acordo com o governo, a redução de demanda no horário de verão é proporcionada por uma combinação de fatores: mudança de comportamento dos consumidores, fim da jornada de trabalho ainda com luz natural e retardo do início da utilização da iluminação pública.
Além disso, reduz a coincidência do consumo de energia elétrica acarretando queda do consumo nos horários de pico de carga no Sistema Interligado Nacional (SIN). Isso significa que, em vez de vários consumidores acionarem aparelhos elétricos ao mesmo tempo, essa demanda é diluída e causa menos impacto no sistema de abastecimento de energia.
A Companhia Paranaense de Energia (Copel) informou que os levantamentos preliminares apontaram para uma redução, no Paraná, de 5,5% na demanda por energia elétrica no horário de pico.
“O alívio na operação do sistema paranaense corresponde à desativação temporária de uma carga próxima de 220 megawatts”, explicou a engenheira do Centro de Operações do Sistema Elétrico da empresa, Christina Courtouke.
Segundo a Copel, o alívio diminui os riscos de sobrecargas em usinas, linhas de transmissão e subestações, além de reduzir a necessidade e intensidade de acionamento de termelétricas movidas a carvão ou a óleo combustível.
Essas usinas têm custo de produção mais elevado que as hidrelétricas e normalmente são acionadas para complementar a necessidade do mercado no período do pico de consumo.
Em outubro de 2007, quando teve início o horário de verão, o governo federal tinha como meta economizar 2 mil megawatts. No ano passado, foram poupados 1.900 megawatts, abaixo dos 2.500 do verão de 2005. A economia de energia ocorre principalmente porque, neste período, a iluminação pública começa a ser utilizada mais tarde.
Esta foi a 37ª edição do horário de verão, implantado pela primeira vez em 1931, e o 22º ano consecutivo pós-regime militar. Ele ficou suspenso de 1968 a 1985. Até 1967, porém, era adotado de maneira esporádica.