Quem acredita que basta investir no ensino médio para obter o “passaporte” à universidade, incorre em erro. O caminho para o nível superior começa bem antes, na alfabetização. Compartilham da avaliação tanto a diretora da escola estadual Stela Machado, Teresa Ferreira, quanto a pedagoga Rosária Helena Ruiz Nakashima, que também é docente da Universidade do Sagrado Coração (USC) e mestranda da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
“O vestibular está cada vez mais baseado em leitura e interpretação. Uma boa educação básica traz reflexos”, explica Rosária. Para ambas as profissionais, o projeto de progressão continuada, no qual o aluno passa por um ciclo de quatro anos sem reprovar, é interessante – o resultado, porém, nem sempre é satisfatório.
“O ideal é que os alunos sem êxito (na aprendizagem), recuperassem o déficit”, comenta Rosária. Porém, o mais comum, é ser aprovado sem estar bem alfabetizado. “Ele vai seguindo capengando e sofrendo. Depois que perdeu o gosto pela educação, é difícil voltar. Se a família for parceira, até consegue reverter. Caso contrário, não avança”, acrescenta Teresa.
Para evitar o problema, a salas deveriam ter uma média de 15 alunos e não 35, como ocorre atualmente. A educação pública também poderia melhorar com a valorização do professor, acrescenta a coordenadora da regional Bauru do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Maria José Oliveira dos Santos.
“O governo do Estado tem feito análises com base em resultados técnicos, sem consultar o professor”, explica ela. Segundo Maria José, as escolas têm metas para cumprir. Os números de evasão e repetência devem diminuir e os de aprendizagem, aumentar.