Preservar a memória. Esse foi o objetivo da homenagem que a 6a Circunscrição do Serviço Militar (6ª CSM) em Bauru prestou ontem a cinco ex-combatentes da Força Expedicionária Brasileira (FEB), que lutaram na 2a Guerra Mundial. Agenor Ferreira Gonçalves, Thomaz Atanázio, Antônio Honório de Lima, Góes Aparecido Canedo e Arsênio Peres foram os homenageados.
De acordo com o tenente-coronel Vladimir Vieira, homenagear pessoas que fizeram e fazem parte da história é criar um foco de atenção para quem lutou pela liberdade e que, muitas vezes, não é reconhecido.
O coronel Vladimir destaca que esse tipo de homenagem independe de datas comemorativas e devem ser prestadas sempre que possível. “É importante sempre estar realimentando nossa memória, não com boatos, mas com fatos, acontecimentos históricos”, frisou.
Outro objetivo, de acordo com o coronel, é valorizar aqueles que ainda estão vivos para que os corações deles fiquem alegres pelo reconhecimento que se deve a eles.
Além dos ex-combatentes, estavam presentes à homenagem alunos do 6o ano do colégio Preve Objetivo. Segundo o coronel Vladimir, a participação dos estudantes não foi coincidência. Segundo ele, o objetivo é fazer uma ponte para que as novas gerações conheçam a história viva do Brasil e não se limitem ao que contam nos livros.
“Nós precisamos pegar as crianças e incutir nelas, enquanto nós ainda temos esse patrimônio vivo, para que eles tenham, não só dos livros, a história morta, mas a memória viva daqueles que estão aqui no nosso meio, para que eles possam se apossar dessa realidade”, salientou.
Lembranças
Para os ex-combatentes, deveriam ser feitas mais homenagens como a de ontem. O tenente Thomaz Atanázio, que foi para a guerra aos 19 anos, em 1944, lembrou daqueles que morreram em combate. “Foi terrível. Em Montesi nós perdemos muitos companheiros”, conta, explicando que entrou como voluntário no Exército e logo foi enviado à Itália, onde ficou quase um ano.
O ex-combatente Góes Aparecido Canedo tem recordações dolorosas da guerra. Segundo ele, a Itália estava em estado de desolação e miséria. Canedo foi ferido em combate em Monte Castelo. “Pensei que ia morrer”, destacou.
De Monte Castelo, Canedo foi levado para Livorno, de onde foi para os Estados Unidos, onde foi condecorado com a medalha Silver Star, concedida pelo alto comando do exército norte-americano a soldados que tenham ótimo desempenho em situações adversas de batalha. “O povo americano é um povo acolhedor, muito bom e prestaram essa significativa homenagem”, comentou.
No Brasil, Canedo também recebeu diversas medalhas, entre elas, a Cruz de Combate de 1a Classe, alta honraria concedida aos militares que praticaram atos de bravura ou revelaram espírito de sacrifício no desempenho de missões em combate e às unidades que se destacarem na luta.