Tribuna do Leitor

Eu e o Jornal da Cidade


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Entre as coisas que faço ao me levantar por volta das 6 horas da manhã, uma é apanhar o Jornal da Cidade, na área de minha casa. Se me levanto mais cedo já está lá. Dou uma olhada na manchete, coloco-o em na mesa e vou fazer o café forte como a minha gente gosta. Em seguida o JC. O primeiro caderno que leio é “Esportes”. Como vão os times, o Noroeste e o São Paulo, principalmente. Torcendo para que fiquem no grupo dos quatro no Campeonato Paulista. Passo ao Caderno da Cultura. Interessante para saciar a curiosidade do leitor sobre a vida particular e profissional dos artistas e famosos do cinema e Tv. Fofocas.

Divulgações mais centradas, com razão pela preferência popular, em músicas e teatro. Pouco nas obras da cultura das letras, salvo em ocasiões especiais o que é uma pena; é matéria que os leitores nem sempre dispensam a atenção merecida. É um caderno gostoso de se ler. Aos domingos com o “Ao pé da letra”; espaço para poetas e aqueles que pensam que são. A única coluna que não leio mais é a do macaco José Simão. É muita besteira humilhando pessoas que merecem respeito. Irreverência de mau gosto. Repetitivo por falta de criatividade. Sempre a mesma coisa apenas mudando nomes. Jornalismo(?) humorístico de um frustrado.

A ótima coluna do Padre Beto com mensagens que precisamos ler, meditar e exercitar. No Caderno Brasil, política e políticos. Arrrrrrgh! Tristeza ao relembrar que sou mais um brasileiro agredido diariamente com a corrupção, ladroeira e safadezas incontáveis dos políticos que emporcalham a dignidade do país na imprensa nacional e internacional. Traindo a fidelidade do seu eleitor, causando-lhe revolta e até estressando-o no seu dia-a-dia na luta pela sobrevivência.

Até quando continuaremos vítimas de quadrilhas protegidas pela impunidade neste país? Réus e jurados da mesma laia que continuarão no poder pelo nosso voto me permitam, ou burro ou impensado ou interesseiro ou mal intencionado. Acho que o eleitor ainda não descobriu o valor do seu voto. O seu poder para mudar os rumos do país. De escrever uma história de probidade e honra. Digna para um país respeitável como o Brasil que amo com respeito. Basta não continuar, repito, com o voto burro, ou impensado, ou interesseiro ou mal intencionado. Não vamos nos iludir com as baboseiras dos políticos que fazem da política palco de mentiras e bandalheiras para aumentarem com falcatruas, sem punição, seus patrimônios.

Seria injusto negar que existem homens honestos na política. Nós os conhecemos. São exemplos que nunca aparecem nas manchetes e nas listas dos imorais. A minoria o que é uma pena. Ótima nesse caderno é “A tribuna do leitor”, espaço aberto para manifestações de pontos de vista pessoais do alvitre de quem as assina com debates curiosos, interessantes e polêmicos. Supomos, nos seus dias, terças, quintas e domingos, a página mais lida.

As notícias de crimes por assassinatos a tiros, facadas, pauladas e pedradas, roubos de carros, seqüestros, balas perdidas, assaltos nas ruas, nas casas e no comércio. Atropelamentos, carros, caminhões, ônibus, motos, pessoas mortas pessoas feridas física e psicologicamente, chocam nos angustiando por não compreendermos suas razões e até onde vai a maldade humana.

Notícias locais: centenas de buracos nas ruas e avenidas, terrenos abandonados, mato cobras e lagartos, políticos de ideais duvidosos sempre contando votos futuros. Alguns mais preocupados com o bem estar da população, outros menos. E o barco empurrado num vai e vem com a falta de bons remadores e timoneiros que a cidade merece. E os assassinatos e roubos por motoqueiros, assaltos nas ruas, lojas e residências na cidade sem limites? A violência intimida populações.

Enquanto tudo acontece o cidadão trabalhador e honesto vive aprisionado em sua casa com grades nas janelas, trancas nas portas, alarmes e outros artefatos para não ser mais uma vitima. E, mesmo com todo os cuidados, ainda serve de refém quando abre a garagem para recolher o carro e os bandidos, armas em punho, o intimidam, invadem e saqueiam sua casa sob humilhantes ameaças à família. Como aconteceu recentemente com um amigo meu, traumatizando esposa e filhos.

No “Classificados”, uma olhada rápida; como não pretendo comprar ou vender e nem contratar “acompanhantes”, procuro o que muitos procuram: anúncios de falecimentos. Vai que um amigo se foi e a gente não ficou sabendo. A família merece e precisa da nossa solidariedade.

Os cadernos “Economia”, “Regional”, “Bairros”, “Ser”, “Saúde”, as charges e suas colunas, “Entrelinhas”, “Opinião” e outras, atestam que o JC é realmente o jornal do “nosso mundo”. O Jornal da Cidade, como todos os veículos de informações, somente faz o que lhe compete, dever de informar, criticar, denunciar, defender e cobrar o respeito ao cidadão e às leis.

Como se no Brasil de tantas bandalheiras, violência e impunidade, cobranças resolvessem. Como sei que espaço nos jornais não é fácil, paro por aqui. Bem, eu e o Jornal da Cidade temos uma coisa em comum. Acordamos muito cedo todos os dias.

Munir Zalaf, escritor, poeta e palestrante

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