Tribuna do Leitor

Amigo Rui


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Rui Bertoti, competente médico oftalmologista, emérito professor de Medicina Legal e, agora, praticamente um colunista do JC, pela freqüência com que colabora com o “Politicando”, escreveu que as pessoa são separadas em dois grupos distintos, os humanistas e os autoritários, e, por conta própria, incluiu-me no segundo. Quem leu o que ele escreveu até o fim certamente entendeu que ele quis dizer que autoritários são os que tem firmeza de posição, convicção quanto ao que são e fazem, e, principalmente, assumem a responsabilidade que lhes cabe. Porém, quem não foi ao fim da leitura pode ter ficado com uma idéia erronea do meu “autoritarismo”, já que essa palavra é dúbia. Explico-me, então: como professor, sempre entendi que minha missão era ensinar, e que esta somente estaria completa quando o aluno entendesse. Quem acha que dar aulas é comparecer no horário e falar tudo o que o assunto comportar no tempo permitido, pouco se importando se o aluno compreendeu ou não, é chamado por mim de “dador de aula”, não merecendo nunca o título de professor. Como me orgulho de ser professor, jamais desprezei uma oportunidade de ensinar, desde que com isto o aluno viesse a aprender, e o aluno só aprende quando é capaz de reproduzir o conhecimento, ou seja, quando é capaz de fazer. Por isto mesmo, não faço pelo aluno e sim faço com que o aluno faça. Por óbvio que é mais difícil e mais trabalhoso, mas é assim que se aprende. Se você refaz o que o aprendiz fez errado, não há mérito para ele no trabalho final. Quem tem que refazer é ele, até fazer corretamente, aprendendo então como se faz. E não se ensina só com palavras, mas também, e principalmente, com ações que são verdadeiros exemplos. Nunca cobrei de ninguém mais do que cobro de mim mesmo. E sempre digo: se eu consegui, você também consegue, é só se esforçar como eu me esforço. Autoritário, deste modo, quero ser para sempre.

José Roberto Martins Segalla

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