Lendo a matéria da edição de sexta-feira (22/02) do Jornal da Cidade, sobre os alunos de escola pública aprovados em faculdades, fiquei surpreendido, visto que é de se admirar tal feito, pois atualmente o nível da educação pública vai de mau a pior. Gostaria de parabenizar os alunos que conseguiram essa grande conquista, principalmente as três meninas que entraram na Unesp, pois assim como elas também estudei no Stela Machado, da 5ª série ao 3º colegial, e posso dizer que embora a escola ofereça excelentes profissionais dedicados a dar um bom ensino aos seus alunos, a grade de matérias deixou muito a desejar.
No meu colegial mesmo não aprendi absolutamente nada de física e química, simplesmente porque não havia professores. Aliás, professores tinham, porém, substitutos especializados em outras matérias. Ou seja, era professor de geografia dando aula de física, de português passando fórmulas de química, enfim... Copiavam textos dos livros para não deixar o aluno com aula vaga e não sabiam tirar nenhuma dúvida do aluno caso ele a apresentasse. Aí eu pergunto: qual a diferença?
Foram três anos perdidos nas matérias de física e química, e se hoje eu sei o que é ebulição ou força gravitacional, posso considerar-me satisfeito diante do ensino que tive na escola nessas matérias. Discordo completamente da diretora do Stela Machado, sra. Tereza Regina, quando diz que “todas as escolas públicas têm condições de preparar os seus alunos, tanto para a universidade quanto para o mercado de trabalho”.
Isso é pura utopia! A educação pública no Brasil hoje é caótica. E o governo tanto sabe disso que em vez de investir em uma boa educação nas escolas públicas de ensino básico prefere dar preferência aos alunos que cursaram o ensino médio nessas, dando-lhes facilidades para ingressarem em escolas particulares com a desculpa de que esses não têm condições financeiras para realizarem seu sonho de fazer uma Universidade Privada. E quem disse que para entrar em uma universidade precisa ter dinheiro?
Basta ter uma boa base educacional oferecida na escola! A sra. Tereza deveria saber disso antes de afirmar coisas inexistentes! A não ser que em três anos o Stela Machado ou todas as escolas públicas tenham passado por uma revolução ao ponto de ter a devida capacidade de preparar e deixar seus alunos aptos a ingressarem em boas faculdades, bem como no mercado de trabalho, sem necessitarem de auxílio de cursos preparatórios pré-vestibulares ou de professores que se dedicam dando aulas extras fora do período de aula.
Oxalá um dia alguma escola pública conseguisse realmente preparar um aluno para entrar em faculdades renomadas sem necessitarem dessas “ajudinhas”! Mesmo assim, parabéns aos professores do Stela Machado, que se empenham em ajudar seus alunos a realmente serem alguém na vida. Queria muito que no meu tempo isso tivesse acontecido, pois talvez hoje eu teria menos dificuldade em estudar assuntos dos quais deveria ter aprendido no colegial, mas que porém nunca vi!
Vinicius Trombini Martins - estudante