Bairros

Trato na escola diminui em parte problemas

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 7 min

Pichações, problemas nos telhados, má conservação das quadras esportivas e móveis escolares. A reportagem do JC visitou escolas estaduais e municipais, onde constatou esses e outros problemas, apesar das unidades estaduais terem recebido recentemente R$ 7 mil cada uma, como verba da Secretaria de Estado da Educação, para solucionar em alguns dessas falhas na infra-estrutura e receber os alunos no início do ano letivo de 2008.

Na última semana, a reportagem esteve nas escolas Professor Ayrton Busch, Parque Jaraguá; Professor Henrique Bertolucci, Jardim Noroeste; Professor Plínio Ferraz, na Vila São Francisco, e Professora Ana Rosa Zucker D’Annunziata, no Parque Paulista. Da rede municipal de ensino foram visitadas as escolas Cônego Aníbal Difrancia, no Parque São Geraldo, e Núcleo de Ensino Renovado Lydia Alexandrina Nava Cury, no Núcleo Geisel.

A três primeiras escolas estaduais visitadas apresentaram diversos problemas, inclusive na estrutura física do prédio. Já a escola Ayrton Busch, parte das pichachões deu lugar a uma nova pintura, principalmente na área interna e no muro de entrada da unidade.

De acordo com a diretora da unidade, Dilma Santana Damante, o trabalho de limpeza da escola só foi possível porque a Secretaria de Estado da Ensino liberou dinheiro para que os serviços mais urgentes e de limpeza fossem realizados. “Tínhamos a escola toda pichada, vidros quebrados e problemas hidráulicos. Os serviços mais urgentes, graças à verba liberada, puderam ser realizados”, conta a diretora.

Mesmo com os serviços realizados, muita coisa ainda precisa ser feita. Alguns partes da escola ainda continuam pichadas, o serviço nos banheiros ainda não foi concretizado e, para piorar, as portas, que acabaram de ser trocadas, já receberam mensagens escritas pelos próprios alunos.

Outra escola visitada foi a Henrique Bertolucci, uma das mais antigas da cidade. A unidade sofre com a ação do tempo, tanto que uma das salas teve de ser interditada pela direção por causa das rachaduras que apareceram nas paredes. Em breve, o espaço deve ser reformado; antes, a verba recebida foi utilizada para pequenos serviços de reparos hidráulicos e elétricos e o sistema de som da pátio foi reforçado.

De acordo com a diretora Elizabete Celina Pelegrino, as pichachões são o maior problema da escola. “Depois da reforma, uma parceria com o Departamentos de Artes da Unesp (Universidade Estadual Paulista) vai deixar nossa escola ainda mais bonita”, adianta a educadora.

Na terceira escola visitada, Professor Plínio Ferraz, as pichações também existem, mas os muros e paredes que estavam sujos foram novamente pintados. A unidade também enfrenta problemas nos telhados e na quadra de esporte. De acordo com a diretora Tânia Mara de Carvalho Baptista, a troca do telhado deverá ser realizada em breve.

“O dinheiro que chegou por meio do programa ‘Trato na Escola’ da secretaria serviu para realizar reparos na parte hidráulica e elétrica da escola, além de possibilitar a troca de alguns vidros das janelas que estavam quebrados e pintura dos muros e paredes. Mas o serviço mais pesado, que é troca do telhado e reforma da quadra de esporte que se encontra interditada, ainda estamos aguardando”, explica Baptista.

A assessoria da Secretaria de Estado da Educação informou que as reformas estruturais nas escolas Henrique Bertolucci e Plínio Ferraz serão realizadas ainda no primeiro semestre deste ano.

Na Ana Rosa, no Parque Paulista, os problemas principais foram solucionados com o dinheiro que a escola recebeu no início do ano. De acordo com Lúcia Helena Rodrigues Madureira, diretora da unidade, além dos serviços de reparos que continuam sendo realizados, a unidade ganhou cinco novas lousas da iniciativa privada.

No âmbito municipal, as duas escolas municipais visitadas pela reportagem não apresentaram problemas aparentes. Cláudia Regina Mata Lopes, diretora do Núcleo de Ensino Renovado no Geisel, conta que os problemas na unidade são pequenos e resolvidos de maneira rápida. “A escola é nova”, justifica. Já na escola municipal Cônego Aníbal Difrancia, os próprios alunos fizeram questão de dizer que a estrutura da escola é excelente e que isso facilita o aprendizado de todos.

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Casos são isolados, afirmam dirigentes

Depois de visitar diversas escolas municipais e estaduais em funcionamento na cidade, a reportagem do JC procurou a professora Vera Nilce Ludke Jarussi, que responde pela Diretoria de Ensino do Estado em Bauru, e a secretária municipal de educação, Ana Maria Lombardi Daibem. De acordo com as dirigentes, os problemas existem, mas são isolados.

Segundo Daibem, um dos grandes obstáculos na manutenção das escolas está na má intenção de quem faz pichações e as invade para praticar algum delito. Por isso, comenta, tanto a rede municipal quando a estadual de ensino têm investido fortemente na comunidade e nos próprios alunos, para que haja uma preservação das escolas.

Jarussi também reconhece que em alguns casos os problemas são mais críticos. De acordo com a dirigente, cada região tem sua particularidade. “Temos casos de escolas que, apesar de possuírem prédios antigos, tem uma conservação exemplar, porém, em outros casos, não acontece o mesmo”, aponta.

Para da dirigente, a comunidade precisa se conscientizar da importância de ter um prédio escolar próximo de casa em funcionamento adequado. “Se cada vez mais tivermos a conscientização e participação das pessoas no cotidiano escolar, em breve teremos um ambiente escolar muito melhor”, opina.

Para a dirigente de ensino, a situação no passado já foi pior. Hoje, segundo ela, depois do trabalho que vem sendo feito, principalmente por meio do projeto Escola da Família, as pessoas estão respeitando mais o ambiente escolar.

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Apeoesp

Para o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) em Bauru, a conservação da escolas influencia diretamente o rendimento do trabalho do professor em sala de aula e o nível de aprendizagem do aluno.

Suzi da Silva, diretora da entidade e que também leciona em uma escola da cidade, diz que convive diariamente com as reclamações dos colegas e compartilha do estado precário que algumas escolas se encontram.

Segundo ela, ao visitar uma das salas onde irá lecionar durante o ano é comum encontrar carteiras e sua própria mesa sem condições de uso. “Reclamei para minha diretora. A resposta foi de que deveríamos nos conformar”, lembra a professora.

De acordo com a diretora, a culpa não está não Diretoria de Ensino ou nos dirigentes escolares e professores, a responsabilidade é do governo do Estado, que não fez nada ao longo dos últimos anos para evitar a degradação do ensino público.

Esse cenário, avalia, faz com que diretores, professores e alunos se encontrem desmotivados. “Não é só ambiente escolar que influencia na educação, mas o método adotado pelo Estado de valorização salarial. Ninguém quer bonificação, os professores querem um plano de salário de acordo com a realidade brasileira”, reivindica.

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Sem condições

Incomodada com a situação da escola onde a filha estuda há 10 anos, a mãe Iraci Domingos dos Santos procurou o JC para reclamar das condições da unidade escolar Professora Carolina Lopes de Almeida, no Jardim Godoy. De acordo com a mãe, a quantidade de pernilongos e pombas no local é impressionante.

A situação foi constatada quando acompanhou a filha no retorno às aulas. Ela diz ter ficado espantada com as condições da escola, como é o caso do banheiro. “Além disso, passei a noite toda sem poder beber água porque nas torneiras a água apresentava gosto ruim. Tenho medo que a presença das pombas possa provocar algum tipo de doença nos alunos, inclusive na minha filha”, diz.

A diretora da unidade escolar, Márcia Regina Moura da Silva, diz que a reclamação feita pela mãe da aluna não procede. De acordo com ela, a escola foi totalmente detetizada no último dia 15 por uma empresa especializada. “Não tem problema nenhum na água, que é consumida pelos alunos é também pelos professores e ninguém reclamou de nada”, garante a diretora.

No caso dos banheiros, silva explica que eles estão sendo reformados, mas que a parte mais complicada já foi realizada. “Os pernilongos estão no bairro todo e as pombas não compete à escola transferi-las do local”, finaliza.

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