A preservação do ambiente escolar deve ser um ensinamento passado de pai para filho. Esta é a opinião de educadores ouvidos pela reportagem. Para eles, acompanhar o cotidiano escolar dos alunos é uma forma de participar ativamente da vida dos filhos e, conseqüentemente, do dia-a-dia das escolas.
Para Vera Nilce Ludke Jarussi, que responde pela Diretoria de Ensino de Bauru, a participação da comunidade no cotidiano escolar cresce a cada ano e pode ser considerada satisfatória.
A exemplo do que acontece em países europeus, onde é comum os país acompanharem atentamente a vida escolar dos filhos e colaborarem com a preservação das escolas por meio de consertos, pinturas e na preservação, Jarussi avalia que o projeto “Escola da Família” conseguiu aproximar mais a comunidade os pais e os alunos das escolas.
“O programa, mantido pela Secretaria de Estado da Educação, é uma forma dos pais conhecerem mais as escolas onde os filhos estudam e transmitir para eles a necessidade de conservação do local”, acredita. De acordo com a dirigente de ensino, não é possível exigir uma maior participação dos pais, nem isso é preciso. “Exigir que eles participem das reformas e limpeza das escolas dos filhos não é certo. Se essa participação for voluntária, é diferente”, opina.
Para o professor Rodolfo Pereira Lima, respeitado educador do município, a contribuição que os pais podem dar a escola é orientar seus filhos para não a prejudicarem. “Cada um tem a sua função: os pais educam seus filhos, os professores ensinam essas crianças e ao Estado cabe cuidar das escolas”, explica o professor.
Jarussi concorda com a visão de Pereira Lima. Para ela, os pais colaboram mais quando exigem dos filhos uma postura educada e acompanham de perto a vida escolar de suas crianças. “O Estado já envia os recursos para que a escola possa funcionar, cabe aos pais conscientizarem os filhos, vizinhos e sobrinhos da importância de conservar o que o Estado faz”, diz.
Para secretária municipal de Educação, Ana Maria Lombardi Daibem, a inclusão dos pais no dia-a-dia das escolas deve ser realizada de maneira gradativa. Como exemplo, Ana Maria cita as Associações de Pais e Mestres (APMs), que hoje precisam prestar contas de todos os gastos realizados. “Qualquer erro pode significar uma grande dor de cabeça para todos”, explica.
A secretária relata que o município possui um projeto a médio prazo para incluir os pais dos alunos cada vez mais no cotidiano escolar, mas ressalta que existem fases de preparação que devem respeitadas.
Os diretores das escolas também não concordam com a convocação dos pais para fazerem serviços que competem ao Estado realizar. Para Tânia Mara de Carvalho Baptista, diretora da Escola Plínio Ferraz, os pais têm suas ocupações diárias que impedem essa participação intensa. De acordo com a diretora, se todos os pais assumirem o compromisso de acompanhar a vida escolar dos filhos como era no passado, já será suficiente. “Eu, por exemplo, teria dificuldade se fosse chamada para ajudar na preservação da escola que meus filhos freqüentam, não teria tempo disponível ”, afirma.
Muitas escolas contaram neste início do ano com trabalho voluntário de vários pais e ex-alunos no mutirão “Trato na Escola”. Dirigentes das escolas concordam que esse tipo de colaboração deve ser espontânea. “Essa participação tem crescido bastante, sempre quando precisamos, sabemos que podemos contar com ajuda voluntária de muitos”, completa Baptista.