Internacional

Eleito o presidente de Cuba, Raúl Castro promete eliminar proibições

Folhapress
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Havana - Confirmado ontem como o novo presidente de Cuba, em uma eleição com somente um candidato, o general Raúl Castro, 76 anos, sucede o líder Fidel prometendo “eliminar proibições” na ilha, mas reconhecendo o legado de seu irmão, que ficou mais de 49 anos a frente do poder.

“Nas próximas semanas, começaremos a eliminar as (proibições) mais sensíveis, já que muitas delas tiveram como objetivo evitar o surgimento de novas desigualdades em um momento de escassez generalizada”, disse, em seu discurso, logo após o anúncio oficial de sua eleição.

Raúl Castro não detalhou quando e quais serão as proibições que serão anuladas. Ele também afirmou que vai rever o tamanho do Estado cubano, tendo por objetivo tornar sua gestão “mais eficiente”. “Hoje é necessária uma estrutura mais compacta e funcional, com um número menor de organismos da Administração Central do Estado e uma melhor distribuição das funções”, disse.

O discurso de Raúl confirma alguns dos prognósticos de analistas políticos, que consideram o irmão de Fidel Castro mais pragmático e o possível artífice de mudanças na direção de alguma abertura política e econômica na ilha.

O novo presidente cubano é reconhecido como bom administrador e já mostrou na prática a intenção de promover alguma reforma no Estado cubano: sob sua liderança, reduziu o efetivo militar de 300 mil para 60 mil soldados depois do colapso do União Soviética comunista, que teve pesadas conseqüências econômicas para Cuba.

Favorito à sucessão de Fidel, a eleição de Raúl Castro gerou reações distintas na comunidade internacional, conforme a proximidade maior ou menor ao antigo ditador.

Nos EUA, representantes da comunidade dos cubanos exilados lamentaram a vitória. “Raúl Castro governa Cuba junto a Fidel Castro há 49 anos, isto, não vemos nada de novo, somente a continuidade do regime”, afirmou Janisset Rivero, do Diretório Democrático Cubano.

“As mudanças em Cuba somente vamos ver quando liberarem os presos políticos, quando forem legalizados os partidos políticos e forem convocadas eleições livres, não esta farsa eleitoral que fazem, e quando forem democratizados os meios de comunicação”, acrescentou.

Tom Shannon, chefe da diplomacia dos EUA para América Latina, disse que a eleição de Raúl deixa entrever uma “possibilidade” e uma “potencialidade” de mudanças na ilha.

“Há possibilidade e potencialidade de mudanças em Cuba, mas essas mudanças têm que nascer de dentro do país”, disse ele, mas acrescentou os EUA não devem mudar sua política baseada no embargo iniciado em 1962.

Um dos mandatários mais próximos a Fidel, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, foi o primeiro chefe de Estado a enviar uma felicitação ao novo presidente de Cubano. “Raúl sempre esteve ali, praticamente invisível, mas trabalhando o mais possível, fiel à revolução, ao povo cubano e fiel até a medula ao seu irmão mais velho, Fidel Castro”, disse Chávez, em um programa de televisão.

“Fidel, camarada, vai aqui um abraço, você segue sempre sendo o comandante Fidel. Viva Raúl, viva Fidel, viva Cuba!”, acrescentou o presidente venezuelano, pedido a seus seguidores e membros do gabinete uma salva de palmas para Raúl.

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