Internacional

‘Só adaptamos o romance de um grande americano’

Por Daniel Bergamasco | Folhapress
| Tempo de leitura: 1 min

Uma reação tímida, quase fria, estava estampada em Joel e Ethan Coen nos bastidores do Kodak Theater logo após a maior consagração da dupla de irmãos cineastas pela indústria do cinema dos Estados Unidos. Com estatuetas em mãos, os americanos haviam acabado de vencer o Oscar de melhor filme, direção e roteiro adaptado por “Onde os Fracos Não Têm Vez”, e ainda tinham visto o espanhol Javier Bardem levar o prêmio de ator coadjuvante pelo longa.

Nos bastidores, os Coen seguiram o ritual imposto pela Academia das Artes e Ciências Cinematográficas. Na coxia do teatro, posaram para fotos com Martin Scorsese - que lhes entregara o prêmio de direção - e seguiram para uma entrevista coletiva com jornalistas de todo o mundo. Mantiveram sempre o ar blasé e o tom de que nada daquilo era tão importante assim.

Fizeram questão de valorizar a obra original que resultou no filme e de elogiar os outros quatro indicados ao prêmio principal da noite: “Sangue Negro”, “Desejo e Reparação”, “Conduta de Risco” e “Juno”. “Eu acho que foi um ano especial em termos que - isso parece clichê, mas... - todos os filmes foram muito interessantes para mim pessoalmente, e esse não é sempre o caso”, disse Ethan, 50 anos.

“Havia filmes fantasticamente bons. Nós só adaptamos o romance de um grande americano, Cormac McCarthy, e tentamos fazer justiça ao livro”, completou. Sobre a rotina de trabalho da dupla, os cineastas reafirmaram sua filosofia de trabalho, cooperativa, sem hierarquia. “Nós sempre fizemos filmes do mesmo jeito. Não há divisão de trabalho. É um esforço colaborativo de cima a baixo. Ninguém manda em ninguém. E é assim que queremos continuar fazendo nossos próximos filmes”, declarou Joel, 53 anos.

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