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Falta sincronia na educação


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Muito oportuna a reportagem no JC (22/02/08, pág.8) intitulada "Ensino superior depende de uma boa alfabetização". A reportagem inicia afirmando: “Quem acredita que basta investir no ensino médio para obter o 'passaporte' à universidade incorre em erro. O caminho para o nível superior começa bem antes, na alfabetização”.

Como professor, normalista e licenciado em Pedagogia com habilitação em Administração Escolar e Supervisão de Ensino, endosso a afirmação. Um dos maiores pedagogos que o Brasil teve, o eminente e saudoso Anísio Teixeira, patrono do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), do Ministério da Educação, em seu livro “Educação não é privilégio” (1957) encontra-se a afirmação: “Não desmereemos nenhum dos esforços para a educação ulterior à primária, mas reivindicamos a prioridade número um para a escola de que dependem todas as escolas - a escola primária”.

Infelizmente a prioridade sempre é concedida ao ensino universitário, em detrimento da educação básica. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996), na composição dos níveis escolares, define a educação escolar, compondo-se de: l)- Educação básica, formada pela educação infantil (creche e pré-escola), ensino fundamental e ensino médio; 2)-Educação superior. Ressalte-se, a educação infnatil passou a integrar o sistema escolar brasileiro a partir da Constituição Federal de l988.

André Lalande, conceitua sistema: “conjunto de elementos, materiais ou não, que dependem reciprocamente uns dos outros, de maneira a formar um todo organizado”. Especificamente, sistema escolar é um sistema aberto, que tem por objetivo proporcionar educação e ensino.

Comporta invocar também o artigo “Retornando a pré-escola”, publicado na revista “Agitação”, órgão do CIEE, n. 78 (nov./dez./2007), de autoria do presidente do Conselho Diretor do CIEE Nacional e do Conselho de Administração do CIEE/SP, prof. dr. Paulo Nathanaek Pereira de Souza.

Trascrevo do excelente artigo o trecho seguinte: "Entendida como instrumento de educação, passa a pré-escola a condição de indispensável pré-requisito para a gfase de ensino formal obrigatório. A partir desse entendimento, não pode mais ser encarada como um luxo dispensável para crianças privilegiadas de classe média, nem como favor assistencial do Poder Público para os filhos de mães trabalhadoras, e deve rapidamente tornar-se algo prioritário nos planos educacionaiss do governo em todas as esferas de sua competência, seja federal, estadual e municipal. Há que fazê-la extensiva a todas as crianças, quiçá não mais apenas nas formas tradicionais da creche, da escola maternal, dos jardins de infância e das classes de pré, mas através de programações adequadas ao atendimento das crianças de zero a seis anos, segundo as suas características e necessidades."

Conclusão, o sistema escolar precisa de fato funcionar como um conjunto de elementos relacionados entre si, de modo coerente. Cada etapa da escolaridade deve guardar correspondência uma com a outra, nunca funcionar de modo estanque, uma ignorando a outra. Do contrário o sistema escolar não estará atendendo o conceito de sistema, consequentemente prejudicando o seu objetivo.

O autor, Rodolpho Pereira Lima, é professor aposentado em Bauru

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