Ontem pela manhã, uma árvore da espécie flamboyant foi derrubada por funcionários da prefeitura na Praça Dom Pedro II e a ação causou indignação em uma mulher que trabalha em frente ao local. Apesar de não querer ter sua identidade revelada, ela conta que conversou com os servidores municipais para saber porquê a árvore estava sendo cortada.
“Eles disseram que a árvore já estava morta. Mas não estava, era só olhar as toras que foram cortadas, elas estavam amarelinhas por dentro. Não estavam ocas, nem corroídas”, comenta.
A mulher, de 51 anos, lembra que a árvore já existia desde a época de sua infância, mas ressalta que, aparentemente, a planta estava saudável. “Eu nasci e cresci ali, no imóvel onde hoje é meu escritório de trabalho. Por muitos anos, eu brinquei embaixo daquela árvore. Chega a doer o coração vê-la derrubada”, lamenta.
Ela acredita que a árvore tenha sido retirada para dar lugar a um passeio de concreto, a fim de dar continuidade à reforma que está sendo realizada na praça. O serviço está sendo custeado pela Igreja Universal do Reino de Deus, como contrapartida exigida pela Secretaria Municipal de Planejamento para a aprovação da construção de um templo religioso na quadra 5 da avenida Rodrigues Alves.
“Achei um sacrilégio fazer isso, principalmente em um mundo em que a natureza é cada vez mais destruída. Quantos anos aquela árvore levou para ficar daquele tamanho? Para derrubá-la, bastou menos de uma hora”, diz a mulher.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) informou, por meio de nota, que a planta não foi cortada em função da reforma, mas sim porque “apresentava sua saúde bastante comprometida”. Ainda de acordo com a Semma, uma árvore só pode ser derrubada se o pedido se enquadrar em critérios técnicos, como teria sido o caso do flamboyant da Praça Dom Pedro II.