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Dr. Automóvel: Rodízio de pneus

Consultoria: Marcos Serra Negra Camerini*
| Tempo de leitura: 4 min

Na última semana recebi uma pergunta de nosso leitor Eli Roberto, de Agudos, a respeito da veracidade de informações sobre pneus, como a importância do rodízio para uma maior vida útil dos mesmos, e se devemos colocar o pneu em melhor estado (com desgaste menor) nas rodas traseiras do veículo. Se isso for verdade, então por que devemos fazer o rodízio dos pneus? Como o rodízio dever ser feito então? Por que as revendas de pneus insistem em colocar o pneu em melhor estado de conservação nas rodas dianteiras?

Caro Eli, vamos esclarecer tudo em detalhes. Os fabricantes de veículos recomendam sempre que se faça o rodízio de pneus, de forma que os pneus se desgastem uniformemente. Antigamente, nos tempos dos pneus diagonais (devido à disposição de seus cordonéis na carcaça), o rodízio era recomendado de duas formas: em X, onde o pneu dianteiro esquerdo trocava de lugar com o traseiro direito e o dianteiro direito com o traseiro esquerdo, preservando o estepe, ou então com um sistema similar, mas considerando o estepe também no rodízio.

Hoje em dia, com a quase unanimidade de pneus radiais no mercado, a recomendação é de não se inverter o sentido de rotação, apenas passando os pneus da frente para trás e vice versa, preservando o lado. Isto previne o desgaste irregular, com a conseqüente perda de tração ou aderência. O objetivo real do rodízio é provocar um desgaste mais homogêneo em todos os pneus e levar a uma troca do jogo completo após o fim da vida útil dos mesmos. Assim, o veículo não perderá suas características de dirigibilidade em função de um desgaste maior de determinado pneu.

Porém, na prática, o que acontece é que pouca gente faz o rodízio conforme sugerido pela montadora, que gira em torno dos 10 mil km rodados. Isto causa um desgaste maior nos pneus dos eixos de tração, que hoje em dia são na grande maioria os dianteiros. A tendência natural dos motoristas é trocar as rodas dianteiras pelas traseiras e rodar enquanto agüenta. Só que neste meio tempo pode ocorrer um furo ou corte em qualquer pneu e o feliz proprietário não se toca e coloca um estepe novinho ao lado de um pneu quase careca.

É quando surge um desequilíbrio na dirigibilidade do veículo e pronto, o estrago está feito. Todos os pneus sofrerão com este desequilíbrio e se desgastarão mais cedo. Ficou mais do que provado que fazendo o rodízio recomendado pelo fabricante, a durabilidade dos quatro pneus será de 50 mil a 80 mil km, ao passo que não fazendo o rodízio teremos que trocar algum pneu muito antes deste prazo.

No caso de não ter sido feito o rodízio adequado e precisarmos trocar dois pneus, os fabricantes recomendam, com toda razão, que se coloquem os mais novos atrás por segurança. Isto parece um contra-senso, já que os dianteiros se desgastam mais rapidamente. Aí surge uma controvérsia, mas o importante é o seguinte: quando se freia, há um deslocamento de massa do veículo em virtude do movimento da suspensão e das forças de inércia, que tornam o veículo momentaneamente mais pesado na frente, por isso que ele abaixa a frente quando se breca. Pelo mesmo motivo, a traseira é levantada e consequentemente, menos peso é aplicado sobre as rodas traseiras, o que prejudica a frenagem. Se os pneus estiverem mais novos, esta perda de eficiência é minimizada, pois o pneu novo tem mais “grip” ou aderência.

Com relação a algumas revendas de pneus insistirem em recomendar que se coloquem os pneus novos na dianteira, só pode ser por estarem mal informadas, pois todos os fabricantes fazem esta recomendação por escrito. Fiquem atentos, então!

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* Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em administração industrial e marketing e engenharia aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e é diretor geral da Tryor Veículos Especiais Ltda. Seu site é www.marcoscamerini.com.br.

Sugestões para a coluna e perguntas à seção Correio Técnico devem ser enviadas ao e-mail automerc@jcnet.com.br ou à redação do Jornal da Cidade, na rua Xingu, 4-44, Higienópolis. É obrigatório informar nome completo, RG, endereço e contato (telefone ou e-mail).

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