Polícia

Pai de bebê encontrado no brejo pega 5 anos de prisão

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

O vigilante André Luiz da Silva foi condenado na madrugada de ontem em Bauru pelos crimes de tentativa de homicídio e tentativa de aborto. O júri lhe imputou pena de cinco anos e oito meses de reclusão pelos delitos cometidos em 2006, quando tentou interromper a gravidez de Maria Amélia Campos, com que manteve um relacionamento. O bebê, no entanto, nasceu vivo e foi abandonado por ele num brejo na Vila São Manuel.

Na ocasião, André Luiz, Maria Amélia e Delza Aparecida da Silva foram presos. Delza foi acusada de cobrar R$ 300,00 para fornecer medicamentos abortivos. Ontem, foi condenada a quatro meses de prisão pela tentativa de aborto. No entanto, foi absolvida pelo crime de tentativa de homicídio. Como estava presa desde 2006, seu alvará de soltura foi expedido.

Por discordar da decisão do júri, que não a condenou por tentativa de homicídio, o promotor Djalma Cunha Marinho Filho irá recorrer. No recurso, buscará ainda uma revisão da pena de André Luiz que, na opinião dele, deve ser majorada. Ao réu foi imputada pena mínima em ambos os crimes. A decisão do júri também não agradou o advogado de defesa do vigilante, Alexandre Oliveira.

Ele recorrerá do veredicto de ontem por acreditar na inocência de André Luiz quanto à tentativa de homicídio. Segundo a tese de Oliveira, para seu cliente, o bebê havia nascido morto. Por essa razão, não poderia tentar matá-lo. O único satisfeito com a decisão de ontem foi o advogado Eduardo Suaiden, que atuou como defensor de Delza. Embora tenha pego o processo na última quinta-feira, conseguiu absolvê-la da denúncia de tentativa de homicídio.

Delza, André Luiz e Maria Amália passaram a ser acusados em abril de 2006, depois que o bebê prematuro foi achado dentro de uma sacola jogada no brejo da favela São Manoel.

A criança, que nasceu com 2,5 quilos, sobreviveu. Seu paradeiro, no entanto, não será informado para evitar futuros constrangimentos. Na ocasião, o menino foi salvo por policiais militares. Conforme o JC publicou, ele foi localizado após Maria Amélia ter dado entrada na Maternidade Santa Isabel com sangramento. Ela contou que estava grávida de dois meses e havia sofrido um aborto.

O médico plantonista, no entanto, desconfiou da versão por conta do tamanho da placenta que ainda estava dentro dela e dos ferimentos da vagina. A PM foi acionada. Pouco tempo depois, os policiais localizaram André Luiz. Questionado, revelou a região onde havia deixado a bolsa com a criança. Difícil, a busca foi auxiliada pelo choro do bebê. A família de Delza e a de André Luiz preferiram não comentar o veredicto. Maria Amélia está em liberdade.

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