Na última segunda-feira, dia 25, o JC publicou a seguinte notícia: “Calouros da Unesp plantarão árvores”. A matéria dizia que “ao invés de tinta na cara e corte de cabelo, (...) de fazer pedágio e obter dinheiro para um churrasco...” os calouros vão plantar 400 mudas de árvores e arrecadar alimentos. Muito digno esse tipo de iniciativa. O que não pode ser confundido é o trote solidário com a demonização do trote ‘convencional’, que é nada mais do que um evento promovido pelos alunos veteranos, e que está sendo confundido com trote ‘violento’.
A diretoria da Unesp vem reforçando a idéia de violência desse tipo de atitude através das coordenações dos cursos, quase que convencendo os alunos veteranos a não fazer nenhum tipo de recepção que não a oficial, programada pela administração, que pouco entende da vontade dos estudantes, dada a situação de descaso com a falta de professores efetivos em diversos cursos. O que querem é desfolclorizar esse momento único na vida do estudante, geralmente vindo de fora. O trote é quase um ritual, porque marca o ingresso na universidade, privilégio para uma minúscula porcentagem da população desse país (que dirá na universidade pública).
Acontece também que o trote não é unilateral. Não é, ao contrário do que querem fazer crer, uma atitude compulsória e muito menos violenta; é uma brincadeira sadia e faz parte do imaginário do calouro, é o desejo mais forte e quase sempre inconfesso do ‘bixo’, nada que um banho não resolva. Se houve algum dia em alguma instituição um trote violento isso representa 0,01% dos casos.
As diretorias das três faculdades da Unesp Bauru têm mesmo que promover o trote solidário, arrecadação de alimentos e plantio de árvores. Mas não pode com isso se esquecer de aparecer no jornal por outras necessidades muito mais importantes do campus, como a contratação de professores efetivos (num departamento elementar como o de Educação, por exemplo). Promover o trote solidário e distribuição de sorvetes não basta.
Interessante notar que por toda cidade calouros de universidades particulares já fazem e fizeram seus pedágios. Não existe mal nenhum nesse tipo de brincadeira, pois nenhum deles está ali contra a vontade. Muito pelo contrário.
Fiquem tranqüilos que os alunos ingressantes estarão se integrando a quem mais entende deles, os alunos veteranos, que já sabem qual é a real situação da Universidade Pública.
Jorge Cleber Teixeira Neves, aluno do curso de Pedagogia