Turismo

A noite cai e o fado encanta

Por Eliane Barbosa | Com AE
| Tempo de leitura: 4 min

É quando a noite cai que Lisboa se revela mais efervescente e parecida com grandes cidades européias. Como em Londres ou Amsterdã, discotecas de Santa Apolónia tocam os hits recentes da música eletrônica. Regiões deterioradas até pouco tempo, como as Docas de Alcântara, foram recuperadas seguindo o exemplo de Berlim Oriental.

E o hábito de flanar numa mesma balada pelos bares do Bairro Alto encontra eco na tradição dos jovens madrilenhos de perambular noite adentro. O Bairro Alto, aliás, é um curioso modelo em que tradição e renovação convivem bem. É engano pensar que os bons clubes de fado estão circunscritos ao bairro de Alfama.

No Bairro Alto está, por exemplo, a Tasca do Chico (rua Diário de Notícias, 39;00-351-96-505-9670), um boteco onde se ouve o fado “vadio”, a versão do estilo interpretada por amadores.

Depois da 1 hora, em geral, esse bar tradicional costuma acolher, às segundas e quartas-feiras, mais fadistas vadios do que propriamente gente disposta a ouvi-los.

Antes, no happy hour, estudantes e engravatados espremem-se por seu acanhado salão (onde há até uma foto de Fafá de Belém afixada na parede) ou concentram-se na frente do bar. Mas a grande noite do Bairro Alto – e, conseqüentemente, a grande noite lisboeta – é a de quinta-feira. Afinal, no dia seguinte, os milhares de universitários oriundos de outras cidades e que lotam os bares dali deixarão a Capital, só retornando na segunda-feira.

Não há melhor forma de encontrar um canto que lhe agrade do que caminhando e bebericando aqui e ali. O Mezcal, situado numa esquina da rua Diário de Notícias, a via mais conhecida, é um mexican bar com cara de Vila Madalena onde é possível beber cerveja Sagres a 1,50 euros, no balcão, em meio a suecas, inglesas, alemãs e brasileiros.

Na mesma rua (nº 125) está também uma jóia para quem aprecia o vinho: a Alfaia Garrafeira. Trata-se de um pequeno wine bar especializado em rótulos portugueses de diferentes regiões. Você pode comprar uma garrafa e tomar em outro lugar, mas será mais divertido sentar-se sobre os barris de carvalho e degustar umas taças em companhia de porções de embutidos e queijos portugueses, como o formidável Serra da Estrela.

• Serviço

Várias companhias aéreas voam para Lisboa, entre elas a TAP e a TAM. Moeda: euro. Fuso horário: três horas a mais que o Brasil. Para ligar a cobrar para o Brasil: 800-80-0550. Embaixada Brasileira: Estrada das Laranjeiras, 144, telefone (00-351-21) 724-8510.

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A Tasquinha do Fadista

No número 135 da rua Diário de Notícias, a Tasquinha do Fadista (00-351-91-408-1554) é um botequim em que cabem pouco mais de dez pessoas ao mesmo tempo, todas atendidas pelo anfitrião.

A visita vale mais pela cerveja gelada e pelo aconchego que pelo bolinho de bacalhau gelado.... Perto dali, a rua do Norte reúne lojas de roupas modernosas durante o dia e casas de fado e o bar Bedroom, à noite.

Se quiser esticar, enfrente filas nas Docas de Alcântara, às margens do Tejo, pólo gastronômico construído no embalo das obras da Lisboa moderna. Funcionam mais de 20 restaurantes para todos os gostos.

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Os pastéis de nata

Cansou de tanto andar por Lisboa? Pare na antiga Confeitaria de Belém (rua de Belém, 84-92;00-351-21-363-7423; www.pasteisdebelem.pt) para repor as energias com pastéis quentinhos, cheirosos, cuja receita é guardada em segredo.

A entrada é modesta, mas lá dentro você verá como a confeitaria foi sendo ampliada sem perder as características originais: há uma infinidade de salas e salinhas com paredes revestidas de azulejos com cenas lisboetas delineadas em azul e branco.

Nessas repartições, que são um convite ao prazer e ao aconchego, são consumidos cerca de 10 mil pastéis de nata, o doce mais típico de Portugal. Nos finais de semana as vendas atingem o pico de 30 mil unidades por dia, com muita gente levando bandejas para casa.

A Confeitaria de Belém funciona desde 1837 e é o único lugar no mundo a ter a legitimidade de produzir o verdadeiro pastel de Belém, cuja receita só é conhecida por três pessoas (ela fica um cofre trancado a sete chaves).

Apenas com autorização visita-se com toca, jaleco de manga comprida, luvas e protetores de pés, as salas das etapas de preparação, onde dezenas de funcionários se revezam nas funções de preparo da massa, do recheio, do forno...

As unidades – quentinhas, cremosas, levemente gratinadas – são vendidas por 0,80 euro cada. Preço mais que justo para um doce tão maravilhoso.

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Schifaizfavoreire

Uma dica para quem nunca foi a Portugal: ler o bem humorado livro do escritor Mário Prata, que viveu lá alguns anos (“Schifaizfavoire”-Editora Globo). Nele há uma série de verbetes da terrinha. por exemplo: bicha, que lá é fila, e cueca, que quer dizer calcinha.

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