É comum a adoção, pelos fornecedores, de técnicas de marketing que passam ao consumidor a idéia de que aquela oportunidade que está na frente dele é única, de que ele é um sujeito de sorte e de que dificilmente a sorte baterá na porta dele daquela forma outra vez.
Entretanto, o consumidor precisa se dar conta de que, na atual sociedade de consumo de massa, nada acontece por acaso. O fornecedor não faz nada graciosamente, porque o lucro é fundamental para manter suas atividades. Isso significa que atrás de uma proposta tentadora sempre está a possibilidade de um contrato que colocará o fornecedor em vantagem. Não existe aparelho de celular gratuito. O que existe é um programa de fidelidade às operadoras, que dilui o custo dos aparelhos em um plano de doze meses.
Não existem viagens gratuitas ou por preços irrisórios. Atrás disso sempre existem golpes, consistentes na cobrança de despesas acessórias, obrigando, por exemplo, o consumidor a contrair todas as refeições no hotel a preço de ouro, ou mesmo na precária prestação do serviço, em condições inferiores àquelas contratadas. Não existe fórmula mágica. Os preços das viagens não costumam variar substancialmente de operadora para operadora. Se o preço for irrisório, desconfie.
Não existem casas de campo gratuitas. Muitas incorporadoras costumam “sortear” lotes, a fim de que os sorteados dividam com o incorporador as despesas de infra-estrutura, como asfaltamento, iluminação, rede de água, construção de áreas de lazer, etc.. Isso faz com que o sortudo tenha que pagar, além das despesas de manutenção do loteamento, despesas de rateios extras, que chegam a superar os mil reais, por vezes.
Prática semelhante envolve o sorteio de títulos de clubes de campo, jazigos em cemitérios, fazendo com que os sorteados paguem muito mais do que a mensalidade de manutenção anunciada.
Não existem cursos de inglês ou de informática gratuitos. Geralmente as empresas cobram caro pelo material didático e proíbem que algum aluno que obtenha o mesmo material por meio de um amigo freqüente o curso gratuitamente. Vale dizer, o preço do curso está embutido no custo do material didático.
Ninguém, por mais inteligente que seja, terá inglês fluente em cinco dias. Esse tipo de promessa, impossível de ser cumprida, também deve acarretar a desconfiança do consumidor.
Promessas de emprego fácil, mediante pagamento de certo valor, geralmente para cobrir despesas administrativas, também costumam ser chamariz de golpes. Pessoas desempregadas costumam ser atraídas para arapucas, em razão do seu desespero na busca de emprego.
Empresas que prometem emprego fácil não são dignas de credibilidade.
Não existem fórmulas milagrosas de emagrecimento. Métodos rápidos de emagrecimento geralmente comprometem a saúde dos consumidores e não devem ser adotados. A forma saudável de emagrecer leva em conta a combinação de uma dieta de baixas calorias com exercícios físicos. Não existe milagre!
Os golpistas geralmente gostam de atrair idosos, em virtude deles serem mais facilmente enganados, por acreditarem na boa-fé das pessoas. Aposentados habitualmente são compelidos a assinar documentos que, posteriormente, serão usados em golpes, comprometendo-lhes o recebimento da pensão mensal. Todo cuidado é pouco com a aquisição de empréstimo, ou de produtos, mediante o desconto na aposentadoria. Muitos golpistas valem-se desse expediente.
Os golpes atingem todos os ramos do mercado de consumo e não se restringem a ele. Muitos prometem agilizar o processo para a obtenção de aposentadoria, que vão “quebrar” as multas dos consumidores, que irão aprová-los em concursos, etc.. Enfim, as propostas são as mais variadas, sempre em prejuízo dos consumidores. Propostas tentadoras costumam atrair o consumidor para arapucas. Desconfiar e tomar cautela é sempre o melhor caminho.
O autor, Arthur Rollo, é advogado especialista em Direito do Consumidor