O superintendente da polícia japonesa, Takashi Ishii, que há um ano e meio está no Brasil, afirmou que se surpreendeu com o estágio avançado do projeto Polícia Comunitária, instituído há 10 anos em todo o Estado de São Paulo com base no modelo do Japão. Em Bauru, onde ontem participou do seminário internacional de Polícia Comunitária e direitos humanos, ele contou que não esperava encontrar as bases comunitárias como estão instaladas e se surpreendeu com a aceitação dos policiais.
“Me assustei quando vi como o conceito já estava forte aqui. Estão mais desenvolvidos do que eu imaginava”, diz. Ele destacou que ainda há muito trabalho a ser feito, principalmente na integração entre policiais e comunidade. “A relação existe, mas ainda é pequena. Falta ainda expandir”, avalia. O policial, que veio acompanhar o projeto no Estado, volta ao Japão em uma semana e garante que pretende levar algumas lições sobre a Polícia Comunitária paulista. “A motivação do policial é muito grande. E isso eu pretendo levar para lá”, diz.
O tenente-coronel Luiz de Castro Júnior, chefe do Estado Maior do comando de policiamento da Capital e coordenador do projeto entre São Paulo e Japão, avalia que nestes 10 anos, houve uma adaptação da técnica trazida do Oriente para o Estado. “O aperfeiçoamento da técnica, em fazer uma polícia em defesa da cidadania, ganhou a polícia e a comunidade”, avalia. Entre as mudanças efetuadas, ele indica a adequação do número de policiais e viaturas nas bases comunitárias. “Em 1997 não sabíamos as necessidades das equipes de cada base”, lembra.
O major Wellington Venezian, coordenador operacional do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPMI) de Bauru, conta que a Polícia Comunitária foi instituída na cidade há 14 anos e muitas iniciativas daqui foram espalhadas pelo Estado. Ele também destaca que a PM passou a trabalhar com quesitos de qualidade, como oferecer serviços eficientes e de baixo custo.
Outro ponto destacado pelo major é a promoção dos direitos humanos. “O nosso trabalho é promover os direitos humanos. E também não podemos ultrapassar o limite que a civilização nos impõe” , diz. Para o tenente-coronel José Humberto Nardo, comandante do 4º BPMI, sediar o seminário é o reconhecimento dos projetos realizados na cidade. “Como PM, eu me sinto muito feliz. É a confirmação de um trabalho que é realizado há anos”, destaca.