Bairros

Validade de 40% dos botijões de gás de cozinha está vencida

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Entre 40% e 50% dos botijões de gás utilizados em todo o País estão com validade vencida. Nestas condições, sem que muita gente saiba, representam perigo às famílias das casas onde estão instalados. O alerta é de Faeis Kadri, diretor comercial da Consigás, engarrafadora e distribuidora de gás situada em São Paulo.

Na última terça-feira, uma explosão supostamente causada por gás provocou o desabamento parcial de um prédio no centro do Rio de Janeiro. O acidente deixou nove pessoas feridas, três delas em estado grave. Mas cuidados simples como a manutenção do botijão poderiam até ter evitado a ocorrência, informa Kadri.

“Eles possuem prazo de validade de 15 anos. Após este período, devem passar por requalificação, uma série de testes, que incluem a medição da espessura e porcentagem de ferrugem, por exemplo. Depois, o processo deve se repetir a cada 10 anos”, explica Kadri. A informação surpreendeu o aposentado Ruy Valderramas. Ele sempre se atentou à validade da mangueira de gás, mas não do botijão.

“Nem sabia que tinha prazo de validade”, comenta. Numa ocasião, Valderramas se viu às voltas com um incêndio na própria casa em virtude da mangueira. “A empregada empurrou muito o fogão contra a parede e ele não tinha chapa protetora. A mangueira deve ter escapado, vazado gás e, quando a braçadeira caiu, deve ter provocado uma faísca”, conta.

Falhas

O descuido com a mangueira figura entre os principais problemas identificados em residências pelo Corpo de Bombeiros, informa o tenente Cláudio Ribeiro, relações públicas do 12º Grupamento. “Com o tempo, vai ressecando e pode romper, ter vazamento de gás e incêndio”, comenta. Um outro erro bastante freqüente é colocar o botijão em local pouco ventilado.

“Não precisa ter muito gás para ter explosão. O gás é mais pesado que o ar e fica no chão. Se entrar no ralo e tiver uma explosão, corre o risco de levantar o chão da casa”, explica. Esse tipo de ocorrência não é tão corriqueira mas, quem sabe, até por uma questão de sorte. Segundo Claudinei Torres, proprietário de um depósito de gás em Bauru, a população facilita muito.

“Tem gente que não liga nem quando o gás está vazando. Não presta atenção na validade nem da mangueira, nem do botijão. Recebemos botijões feios, amassados”, afirma. Nestas condições, ele os envia à companhia de gás e recebe outros em melhor estado. Já a recuperação dos botijões é feita por seus fabricantes e por outras empresas que trabalham no ramo.

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Responsabilidade do consumidor

É o próprio consumidor quem precisa ficar atento à data de validade, impressa em alto relevo no corpo do botijão, informa Faeis Kadri, diretor comercial da Consigás. “Os modelos que já passaram pelo processo de reciclagem ganham uma tarjeta, afixada próximo à válvula, indicando a nova data de validade”, explica.

O executivo afirma que a falta de fiscalização contribui para que as empresas do setor não realizem a requalificação. “O próprio consumidor pode denunciar à Agência Nacional de Petróleo (ANP), ao Procon (órgão de defesa do consumidor) e ao Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro)”, orienta.

Faeis Kadri informa que a recuperação de um botijão custa cerca de R$ 10,00 e que a cada recarga a empresa responsável conta ainda com um incentivo de R$ 0,25 no preço do gás para realizar este serviço. “O valor já está na estrutura do preço. Em média, os botijões são recarregados uma vez por mês. Levando-se em conta que um botijão dure 10 anos, o bônus por recarga recebido pela distribuidora nesse período já seria suficiente para realizar a manutenção adequada”, acrescenta.

Por essa razão, ele orienta as famílias a denunciar empresas que estejam trabalhando com vasilhames vencidos. “Só assim os consumidores poderão ter a certeza de contar com um botijão de qualidade e em condições de evitar tragédias”.

Da Redação

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