Os Procons de todo o Estado de São Paulo começaram ontem um movimento de repúdio aos serviços prestados pelas operadoras de telefonia. Para resolver ou, pelo menos, minimizar os problemas com cobranças indevidas – que encabeçam a lista de reclamações - os órgãos estão colhendo assinaturas dos consumidores, a fim de propor um projeto de lei com regras mais severas para o setor.
Em Bauru, o Procon local montou ontem um estande na quadra 4 do Calçadão da Batista de Carvalho para incentivar as pessoas a colaborar com o abaixo-assinado. Segundo o diretor do órgão na cidade, Amauri Roma, a meta é conseguir cerca de 5 mil assinaturas em Bauru e 500 mil no Estado.
“Queremos que essa mobilização influencie a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) a exigir que as operadoras de telefonia móvel e fixa cumpram o Código de Defesa do Consumidor, oferecendo serviços de qualidade e atendendo o cliente sempre que solicitado”, explica Roma.
No ano passado, em Bauru, o Procon registrou 6 mil reclamações referentes à telefonia. Foi o tipo de ocorrência que mais levou os consumidores ao órgão. Neste ano, os números já indicam que o resultado não será diferente. Entre janeiro e fevereiro, a média mensal de reclamações variou entre 500 e 600 atendimentos.
Roma explica que, além do consumidor ser cobrado por ligações que não fez, quando tenta resolver o problema com a operadora, nunca consegue atendimento. A ligação é repassada para diversos funcionários e o cliente fica à espera de uma resposta por muito tempo ao telefone.
Foi o que aconteceu com a escriturária Sueli Andrade, que fez questão de colaborar com o abaixo-assinado ontem, no Calçadão. Ela recebeu cobrança dobrada de uma ligação que fez para fora do Estado de São Paulo. “Fui cobrada por duas operadoras e, mesmo tendo provado o erro, tive que pagar para depois ser ressarcida. Perdi muito tempo tentando resolver o problema e passei muito nervosismo. Por isso, acredito que essa relação com o consumidor precisa mudar, afinal de contas, a gente paga pelo serviço”, ressaltou.
De acordo com Roma, várias tentativas de negociação foram propostas com as empresas de telefonia antes do Procon começar a campanha de abaixo-assinado. “Como não conseguimos êxito, agora vamos reunir todas essas assinaturas e apresentar no 1.º Fórum de Defesa dos Direitos do Consumidor, em Piracicaba, no final deste mês”, diz.
A iniciativa é vista como uma oportunidade de melhorar o relacionamento do consumidor com as operadoras. O frentista Neir Antônio Pereira, que também assinou seu nome na lista de repúdio do Procon, acredita que a medida é necessária e pode conseguir o resultado desejado. Ele conta que levou 30 dias para conseguir que a operadora fizesse reparos em sua linha telefônica, que estava com defeito. “Eu nunca conseguia falar com ninguém. Foi um sacrifício muito grande, mas consegui. Acho que essa atitude do Procon pode ajudar muito a acabar com esses problemas, que são uma verdadeira dor de cabeça para o consumidor”, completa.
Nesta semana, o Procon estará novamente no Calçadão colhendo assinatura dos consumidores. Quem quiser colaborar com a iniciativa, ajudando a colher assinaturas, deve solicitar os formulários através do email procon@bauru.sp.gov.br ou através do telefone (14) 3366-6050. O abaixo-assinado será encerrado no dia 20 em todo o Estado.