Fortaleza - Em apenas 30 horas, 600 tremores de terra foram registrados pelo sismógrafo instalado na região de Sobral (CE), segundo Eduardo Alexandre de Menezes, pesquisador do laboratório sismológico da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte). O epicentro é a localidade de Jordão, a 12 km da sede de Sobral (240 km de Fortaleza), onde os moradores, em pânico, dormiram mais uma noite ao relento ou sob lonas plásticas distribuídas pela Defesa Civil do Estado. A maioria não quer entrar em casa com medo de desabamento.
Grande parte dos tremores é imperceptível, mas houve alguns mais fortes, acima de 3 graus na escala Richter, que assustaram até os moradores do centro de Sobral.
Na madrugada de ontem, aconteceu o mais forte até aqui, que chegou a 3,9 graus e que foi percebido a um raio de 200 quilômetros.
A atividade sísmica na região começou ainda no final de janeiro e não há como prever quando vai acabar. “Temos de fazer um trabalho de conscientização da população, pois esse é um fenômeno da natureza assim como a seca, a chuva. Eles vivem em uma área com sismos e terão de se acostumar”, disse Menezes.
Os prejuízos registrados foram algumas casas com rachaduras leves e oito com riscos de desabamento. Não houve feridos, mas dezenas de pessoas têm buscado atendimento médico, com dores no corpo, tonturas e até desmaios.
Sob uma lona doada pela Defesa Civil, armada com a ajuda de troncos em uma praça, no distrito de Jordão, a dona-de-casa Maria Alves dos Santos, 43 anos, passou a sexta-feira deitada, reclamando de calafrios. "Ela não consegue nem ficar em pé. É um medo muito grande, que não dá para explicar'', disse o agricultor Antônio Alves Ferreira, 46 anos, marido dela. Há 15 dias, houve outro sismo assustador, de 3,5 graus, que já levou muitos a sair de casa desde então. "A gente tinha voltado ontem para casa. Agora, não entro mais nem para cozinhar. Não sei o que fazer'', disse à reportagem.