Conforto ambiental e sustentabilidade são características imprescindíveis para a definição de um imóvel como sendo sustentável. Como tais particularidades estão diretamente relacionadas à região onde a casa ou prédio está sendo construído e leva em consideração também a adaptação às necessidades do ser humano que irá habitar o local, não é possível definir um único “modelo” para que uma obra seja classificada como sustentável.
Por essa razão, pesquisadores e profissionais do ramo da construção civil afirmam que pode haver dezenas e até centenas de modelos de construções consideradas sustentáveis. E o número amplia-se cada vez mais em razão da enorme gama de materiais produzidos a partir de matérias-primas de origem mineral e insumos sustentáveis para essa área e à disposição dos consumidores.
Em Bauru, a maior parte dos produtos começa agora a ser encontrada nas lojas de material de construção. Entre os itens disponíveis há mais tempo no mercado, os mais procurados têm sido os produtos que aliam retorno ambiental e econômico, principalmente por que os prédios comerciais têm taxação diferenciada para consumo de energia e água.
Os projetos executados até agora e em andamento verificados pelo JC contemplam o aproveitamento da luz solar para iluminação parcial do ambiente e para aquecimento da água utilizada para o banho nas residências através da instalação de aquecedores solares. O acesso a esse recurso ainda é restrito a uma pequena parcela da comunidade devido ao seu valor, que gira em tono de R$ 4.000,00.
As cisternas para captação da água da chuva são mais em conta, mas sua estrutura pode confrontar-se com a estética do ambiente. Quando o sistema é implantado na execução da obra, tanto o reservatório quanto os canos que conduzem a água podem ficar escondidos. Neste caso, em que a cisterna é subterrânea, é necessário uma pequena bomba para levar a água até a superfície, o que culmina no aumento dos gastos com eletricidade.
No caso de se usar caixa d’água suspensas, os reservatórios podem ficar no forro da casa e os canos de condução da água podem ficar escondidos sem a necessidade da bomba. Mas se a situação envolver a adaptação a uma estrutura já existente, tanto caixa reservatório quanto tubulação de condução da água ficam expostas.
Alguns prédios, principalmente os comerciais, têm optado pela iluminação de ambientes com sensores de presença. Em Bauru uma imobiliária na avenida Getúlio Vargas foi a primeira a implantar o projeto. O prédio conta com luminárias refratárias que dispensam o uso de um grande número de lâmpadas, além da arquitetura do prédio favorecer ao máximo o aproveitamento da luz solar.
No caso do consumo de água, a cisterna garante água para limpeza do prédio e para uso no vaso sanitário. O prédio também conta com torneiras de pressão e outras com sensores que possuem a vazão de água definida.
De acordo com Eduardo Rachid Cury, um dos proprietários da imobiliária, o projeto não foi montado visando só a economia no consumo de água e energia, mas sim para despertar o interesse de futuros construtores para que todos pudessem conhecer os benefícios de modelo de construção que, ao invés de agredir a natureza, colaboram com ela.
“Ganha o meio ambiente, a família que irá residir no local e o próprio município”, sustenta Cury. Para ele, se pelo menos os prédios comerciais adotassem essas medidas, os problemas de enchentes na cidade estariam resolvidos.
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Calçada permeável
Outra tendência que vem se popularizando em Bauru já virou lei na Capital: o calçamento das ruas e avenidas da cidade com material permeável (a avenida Paulista terá todo o seu piso trocado). No Interior, a administração municipal de Arealva e Iacanga já adotaram o mesmo sistema de calçadas permeáveis para reformular praças e passeio público.
Esse tipo de calçamento favorece o aumento da capacidade de absorção de água pelo solo e garante a remoção desses material sem grandes esforços, já que cada peça possui o encaixe correto e não é utilizado cimento para unir cada uma delas.
Bauru possui uma dessas empresas que fabricam blocos para calçadas permeáveis em diversas cores, o que agrega ao calçamento mais beleza. A empresa ainda fabrica blocos para as chamadas “calçadas verdes’, que permitem que grama seja plantada no interior dos mesmos.
De acordo com Luiz Antonio Sola Filho, o Zizo, proprietário da empresa, o produto é ecologicamente correto porque torna o solo permeável e oferece maior conforto, já que a absorção de calor do material é 18 graus menor que a capacidade de absorção do asfalto. “Devido à sua tecnologia, o material acompanha os mais diversos tipos de projeto de pavimentação, como calçadas, estacionamentos, parques, passeios públicos, clubes, condomínios, escolas, residências e restaurantes”, afirma Zizo.