Bairros

Obras devem privilegiar bem-estar do morador

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 2 min

O consumidor que busca reduzir os impactos da construção de seu imóvel sobre o meio ambiente tem uma grande chance de trilhar com eficiência o caminho da sustentabilidade se fizer uma boa reflexão sobre como e onde mora ou vai morar.

Iluminação inteligente com sensores de presença e aproveitamento máximo da iluminação natural, por meio de janelas amplas, reduzindo o uso de iluminação artificial, são algumas sugestões adotadas por arquitetos e engenheiros.

Coletores solares térmicos são imprescindíveis para uma construção que pretende receber o título de sustentável. Vidros especiais nas janelas, que bloqueiam parte dos raios infravermelhos e melhoram o desempenho do ar-condicionado sem prejudicar a iluminação, também são bem vindos.

O imóvel pode dispor de um sistema de coleta e armazenagem da água de chuva para reuso na lavagem de fachadas e para regar as plantas. “São uma série de medidas que colaboram para o bem-estar de quem irá residir no local”, explica a pesquisadora Maria Solange Gurgel de Castro Fontes, professora doutora do curso de arquitetura da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru.

De acordo com Fontes, a ventilação deve ser uma preocupação importante. Uma edificação com ventilação insuficiente poderá reter umidade do ar, afetando o conforto e até mesmo a saúde dos habitantes. Todos os ambientes devem ser bem ventilados. Para encerrar, ela recomenda os modelos de vasos sanitários “dual fresh”, com acionamento separado para rejeitos sólidos e líquidos.

Ao seguir esses critérios, de acordo com a pesquisadora, o consumidor terá certeza de morar de um modo mais correto ambientalmente. “De nada vai valer se o projeto da construção não contemplar futuras ampliações. Os espaços criados devem flexíveis”, explica.

O alerta é importante por existirem dados que apontam que a construção civil responde pelo “consumo” de 40% dos recursos naturais do planeta.

O engenheiro civil Marcos Wanderley Ferreira, presidente da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos (Assenag) de Bauru e responsável pela implantação de alguns itens da construção sustentável em diversas obras na cidade, ressalta, no entanto, que o engenheiro ou o profissional da construção civil não pode interferir no desejo do cliente. “Nós podemos sugerir a implantação de algumas obras que ofereçam a sustentabilidade ao imóvel, mas a palavra final é sempre do dono do imóvel a ser construído”, justifica.

Ferreira, assim como a pesquisadora, também aposta no crescimento dos empreendimentos sustentáveis na cidade, mas crê que o modelo atual da construção civil ainda reinará por algum tempo. “Esses métodos sustentáveis continuarão a ser integrados à construção civil aos poucos, como acontece também nos grandes centros”, avalia o engenheiro.

Proporcionalmente, o número de investimento em imóveis sustentáveis como São Paulo é igual ao que existe em Bauru. Os prédios e casas do tipo sustentáveis em São Paulo ainda são reduzidos em relação ao número de moradias que existem na cidade. Por enquanto, a onda verde pode ser considerada apenas um diferencial do mercado imobiliário.

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